Trump afirma que estuda proibir exportações de diesel nos EUA após desmentido de aliado

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 28/09/2026 08:20
Trump afirma que estuda proibir exportações de diesel nos EUA após desmentido de aliado

Foto: via O GLOBO

Donald Trump declarou a um repórter da Fox News, enquanto acompanhava a final do torneio de golfe Presidents Cup, próximo a Chicago, que os Estados Unidos estudam "muito seriamente" a possibilidade de proibir as exportações de diesel, o que poderia levar a um pequeno aumento no preço da gasolina para os carros.

A fala chegou um dia depois de o senador republicano Ted Cruz afirmar a líderes de refinarias americanas que a Casa Branca deu garantias de que não proibirá as exportações de diesel dos Estados Unidos, segundo fontes que acompanham as conversas reservadas.

Caso a proibição fosse concretizada, a restrição poderia afetar fortemente o Brasil, que importa cerca de 30% do diesel que consome. A principal origem do diesel importado pelo país é a Rússia, seguida dos Estados Unidos, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O Reino Unido também é um grande comprador do óleo americano.

O tema é sensível nos EUA à medida que se aproximam as eleições parlamentares de novembro. Vários parlamentares de estados agrícolas têm pressionado Trump a limitar as exportações americanas de diesel durante o auge da colheita de outono, num momento em que os mercados globais de combustíveis sofrem com a interrupção dos fluxos no estratégico Estreito de Ormuz e com os ataques ucranianos a refinarias russas.

Em paralelo, o TikTok deverá pagar até US$ 300 milhões e limitar o uso de adolescentes a duas horas por dia em acordo nos Estados Unidos.

Os Estados Unidos se tornaram o fornecedor de última instância para o mundo, com as exportações de diesel atingindo, no mês passado, um recorde semanal próximo de 2 milhões de barris por dia.

O diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, vêm analisando, ao longo da última semana, as consequências de uma possível proibição temporária das exportações americanas de diesel, reforçando a seriedade com que o governo considera a ideia.

Executivos de empresas de petróleo e entidades do setor têm defendido, em vez disso, a suspensão do imposto federal sobre o diesel, argumentando que isso reduziria os preços sem os efeitos negativos de uma proibição às exportações. A proposta provocou debate interno sobre como suspender o tributo, especialmente com a Câmara dos Representantes em recesso antes das eleições.

Em outro cenário de comércio internacional, após a visita de Xi a Trump, a China concordou em comprar carvão dos EUA em acordo limitado de alívio tarifário.

O diesel abastece máquinas agrícolas, trens de carga, caminhões e veículos de entrega. Os preços no varejo nos Estados Unidos atingiram um recorde na semana passada, ficando em média em torno de US$ 6,50 por galão, aumentando a preocupação dos eleitores com o custo de vida antes das eleições legislativas de novembro.

O secretário de Energia, Chris Wright, afirmou na semana passada que o governo está trabalhando com refinarias em restrições voluntárias às exportações como alternativa a uma proibição imposta pelo governo. Algumas empresas já estão acrescentando salvaguardas contratuais para o caso de interrupção dos embarques de diesel ao exterior, impedir entregas a compradores estrangeiros, disseram à Bloomberg News na sexta-feira pessoas com conhecimento do assunto.

Se a proibição for adotada, a expectativa generalizada é de que os preços do diesel nos Estados Unidos caiam, pelo menos no curto prazo. Uma interrupção das exportações deixaria aliados dos EUA, entre eles Brasil e Reino Unido, com necessidade urgente de buscar combustível em outros fornecedores.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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