Minerais críticos: a riqueza que Trump não pode taxar
Exclusão de minerais do tarifaço revela mudança global: insumos deixaram de ser commodities e passaram a integrar agenda de segurança econômica, observa Jaques Paes.
Quando um governo decide tarifar milhares de produtos, mas preserva determinados insumos minerais, ele demonstra prioridades estratégicas; cadeias produtivas cuja continuidade vale mais que o uso de tarifas como pressão já apareciam nas restrições chinesas à exportação de terras raras, nos programas europeus de autonomia estratégica e nas iniciativas americanas para reduzir a dependência de cadeias concentradas.
O tarifaço apenas tornou essa mudança mais visível.
Nos últimos meses, o Brasil intensificou a discussão sobre a Política Nacional para Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE).
Apesar de reconhecer que esses materiais têm importância que vai além da mineração, a política estabelece uma armadilha para o desenvolvimento: proteger um recurso não é o mesmo que capturar o valor econômico que ele pode gerar.
O Brasil possui reservas relevantes de diversos minerais considerados críticos. Essa vantagem geológica, por si só, não garante desenvolvimento industrial, inovação ou protagonismo tecnológico; o valor da cadeia permanece concentrado nas etapas posteriores à extração, o que significa que ser protagonista em reservas não é o mesmo que ser protagonista em uma cadeia.
Os Estados Unidos procuram preservar o acesso aos minerais de que necessitam, e o mundo já trata minerais críticos como ativos estratégicos.
No Brasil, a ênfase ainda está na tutela dos recursos que possui, destaque observado no PL 2.780/2024.
Entretanto, o país ainda não se estruturou para atrair investimentos em transformação mineral, processamento e manufatura, nem para estabelecer mecanismos que aproveitem o conhecimento acumulado pelas empresas que já operam no território brasileiro; parcerias público‑privadas podem acelerar esse processo.
O país não parte do zero: mineradoras que já atuam no Brasil dispõem de infraestrutura, conhecimento técnico, capacidade operacional e inserção internacional.
Petróleo fecha em queda com otimismo para oferta e negociações; Brent cai 3,40%, a US$ 100,34, com retomada dos fluxos pelo oleoduto Leste‑Oeste da Arábia Saudita; petróleo fecha em queda e WTI fica abaixo dos US$ 100 com oferta da Arábia Saudita no radar; Brent cai 0,91%, a US$ 103,87, com expectativas de que a Arábia Saudita consiga restabelecer em poucos dias cerca de metade da capacidade do oleoduto Leste‑Oeste.
Uma política pública capaz de alinhar esses ativos aos objetivos nacionais de agregação de valor pode produzir resultados mais rápidos do que uma estratégia baseada exclusivamente na expansão do papel do Estado.
O tarifaço não alterou apenas a dinâmica comercial entre Brasil e Estados Unidos; tornou mais evidente a mudança na forma como as grandes economias passaram a tratar os minerais críticos.
No Brasil, essa mudança também tornou mais visíveis as lacunas entre abundância geológica, capacidade industrial e geração de valor.
Minerais críticos já não pertencem apenas à pauta da mineração; tornaram‑se instrumentos de política industrial, segurança econômica e geopolítica.
Criar as condições para que a riqueza gerada por eles permaneça em maior medida dentro do país é o desafio brasileiro; a proteção desses recursos é apenas um passo nessa direção.
Jaques Paes é professor do MBA de ESG e Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas, executivo da indústria de mineração, palestrante e autor do livro “Sustentabilidade além dos Rankings: fatores, limites e distorções na medição da sustentabilidade na mineração”.
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Com informacoes de Agência eixos.

