Berzoini alerta para influência do trumpismo e plataformas digitais na reta final da eleição brasileira
Ricardo Berzoini, ex‑presidente do Partido dos Trabalhadores e ex‑ministro nos governos de Lula e Dilma, afirmou que a reta final da eleição presidencial está inserida em um ambiente internacional que merece atenção, destacando o trumpismo e o uso de plataformas digitais como possíveis fatores de influência.
Segundo Berzoini, a direita teria aprendido mais rapidamente que a esquerda a explorar politicamente plataformas digitais e aplicativos de mensagens, afirmando: "Eu diria que a oposição demonstrou maior competência para isso". Ele citou como exemplo grupos criados originalmente em torno de outros assuntos que, próximo às eleições, passam a ser usados para a circulação de conteúdo político.
Ao ampliar a análise ao cenário internacional, o ex‑ministro mencionou Donald Trump, o vice‑presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance e outros nomes ligados ao movimento político americano, indicando que esse campo representa uma visão que relativiza a soberania de outros países. "Você pode imaginar que eles vão, talvez via big techs, fazer um movimento de distorção na reta final", disse.
Berzoini admitiu a possibilidade de movimentos para não reconhecer o resultado das eleições, mas enfatizou que trata o assunto como uma hipótese e não como tendência: "Isso pode acontecer e certamente vai gerar um impasse político da maior relevância se ocorrer. Agora, eu prefiro acreditar que isso é uma possibilidade, não uma tendência".
O ex‑presidente contrapôs esse risco à consolidação do sistema eleitoral brasileiro, citando as urnas eletrônicas, o processo de apuração e as regras eleitorais, e lembrou que o país chega à décima eleição presidencial consecutiva desde a redemocratização, caracterizando‑a como "o mais longo período democrático da história do Brasil".
Berzoini ressaltou que conceitos como democracia e soberania precisam ganhar significado concreto para a população, em vez de permanecer apenas como slogans, referência que ecoa a análise de conteúdo que revelou que 7,9 % das postagens de Lula no Instagram tratam de democracia e soberania.
Sobre a relação entre Lula e Trump, Berzoini reconheceu a dificuldade de interlocução, mas avaliou que o presidente brasileiro busca combinar abertura ao diálogo com resistência a interferências externas: "É difícil conduzir a relação com o Trump, mas eu creio que o presidente mostra, de um lado, que ele está aberto ao diálogo; de outro lado, que ele não aceita interferência".
O ex‑presidente também comentou que Flávio Bolsonaro se apresenta como tão competitivo quanto Jair Bolsonaro em 2018, observação que se alinha à pesquisa Quaest que mostrou Flávio Bolsonaro com 42 % e Lula com 41 % no segundo turno após anúncio de aumento do Bolsa Família.
Em declarações adicionais, Berzoini afirmou que Lula não deve defender o ministro Alexandre de Moraes na crise do STF, criticou a política de juros e questionou a condução de Roberto Campos Neto no Banco Central. Por fim, informou que o ministro Alexandre de Moraes será relatado em ação que envolve sua esposa e o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro.
Com informacoes de Congresso em Foco.

