Natura (NATU3) lança debêntures de R$ 700 milhões atreladas a metas de plástico sustentável

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 17/09/2026 20:41
Natura (NATU3) lança debêntures de R$ 700 milhões atreladas a metas de plástico sustentável

Foto: btg-pactual/efe

A Natura (NATU3) informou que vai captar R$ 700 milhões no mercado de capitais por meio de uma emissão de debêntures cujo desempenho financeiro está condicionado ao cumprimento de metas ambientais específicas.

A operação, coordenada pelos bancos UBS e Banco do Brasil, trata‑se de um Sustainability‑Linked Bond (SLB), título cujo custo varia conforme a empresa atinge indicadores de sustentabilidade. Segundo o regulamento da International Capital Market Association (ICMA) publicado em 2025 – Sustainable Bonds for Nature: A Practitioner’s Guide – esta é a primeira debênture corporativa brasileira alinhada ao referido guia, além de ser a pioneira no segmento global de cosméticos.

O critério escolhido para ajustar as condições da dívida é a participação percentual de plástico sustentável nas embalagens elegíveis dos produtos das marcas Natura e Avon. O cálculo inclui dois tipos de material: plástico reciclado pós‑consumo (PCR) e plástico de fonte renovável elegível, ponderados em relação ao total de plástico usado nas embalagens. Em 2022, esse índice era de 21 %. Pela nova emissão, a empresa se compromete a elevar a participação para 43 % até 2028 e 46 % em 2029, mantendo a meta pública de 50 % para 2030.

Essa iniciativa dá continuidade à estratégia de financiamento verde iniciada em 2021, quando a Natura lançou seu primeiro Sustainability‑Linked Bond, cujo objetivo era incorporar PCR nas embalagens, com meta de 25 % até 2026. A companhia superou a meta ao alcançar 30 % em 2025 e, no mesmo ano, realizou uma emissão voltada ao uso de bioingredientes amazônicos. Atualmente, 65 % das emissões de dívida da Natura estão vinculadas a indicadores socioambientais, com a ambição de chegar a 100 %.

O foco no plástico está alinhado à Visão 2050 da empresa, que prevê a transição para um modelo 100 % regenerativo até 2050, incluindo a meta de que todos os plásticos de seu portfólio sejam de origem renovável e compostáveis. “Ao conectar as condições financeiras da emissão a metas mensuráveis de plástico sustentável, transformamos uma prioridade material de circularidade em compromisso financeiro”, declarou Silvia Vilas Boas, diretora financeira da Natura.

Como já relatamos em cobertura anterior sobre o primeiro Sustainability‑Linked Bond da Natura, a companhia reforça seu compromisso de integrar sustentabilidade ao custo de capital, sinalizando que a agenda ambiental continuará a influenciar suas decisões de financiamento nos próximos anos.

Com informacoes de Seu Dinheiro.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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