Direita consolida vitória nas eleições de 2026 e ecoa padrão de 1974
Candidato do Partido Liberal, Flávio, afirmou que a maioria conquistada no Senado e na Câmara será usada para "mudar a Constituição", sinalizando a confiança da direita após a vitória nas urnas de 2026.
A comparação histórica remete ao pleito de 1974, quando a ditadura militar, confiante de sua permanência, recebeu uma forte derrota eleitoral: a oposição elegeu 16 dos 22 senadores. Naquele período, os governadores eram eleitos indiretamente, tornando a disputa senatorial a maior eleição majoritária disponível.
Analistas apontam que o mapa eleitoral de 2026 reproduz, de forma ainda mais profunda, o padrão observado em 1974 e em 2022, aprofundando a marginalização do Partido dos Trabalhadores (PT). Em 1974 a ditadura foi surpreendida; em 2026 o PT foi “para a guilhotina” com indolência.
No estado de São Paulo, a vitória de Orestes Quércia em 1974 era inimaginável, a ponto de Ulysses Guimarães recusar a candidatura ao Senado. Em 2026, após perder a capital por cerca de 1 milhão de votos, o PT lançou Fernando Haddad ao governo estadual e foi derrotado por 6 milhões de votos, equivalente a 36% da diferença. Tarcísio de Freitas permanece governador. O eleitorado paulista também não elegeu José Dirceu como deputado federal, decapitando a “nobiliarquia petista” ao arrastar Marina Silva, candidata ao Senado, e Rui Falcão, ex‑presidente do partido, deputado estadual por quatro mandatos e federal desde 2019.
A eleição de 1974 mostrou um eleitorado cansado da ditadura; a de 2022 sinalizou um certo cansaço do PT. O primeiro turno de domingo confirmou essa tendência, reforçada pela onda conservadora de 2018, pela Operação Lava‑Jato que mantinha Lula preso e pelo PT sem candidato forte. Em 2026, sem Lava‑Jato, o candidato foi Lula, já em seu terceiro mandato, com todas as pesquisas o colocando à frente, embora seu governo fosse amplamente reprovado, um fator subestimado pela campanha.
Um padrão recorrente emergiu: quase todos os candidatos que os eleitores sentiam obrigação de votar foram derrotados. Em 1974, os paulistas deveriam eleger o ex‑ministro e ex‑governador Carvalho Pinto; em 2026, deveriam eleger o ex‑prefeito e ex‑ministro Fernando Haddad. Marina Silva, que parecia ter direito a uma cadeira no Senado, perdeu para o “politicamente incorreto” Guilherme Derrite, assim como Eduardo Suplicy foi derrotado por Major Olímpio em 2018.
Em 2022, Lula deu um salto espetacular ao lado das forças adversárias e entregou a Vice‑Presidência a Geraldo Alckmin, seu adversário de 2006. Agora, com menos de um mês restante, ele busca outro salto, embora a diferença de 2,2 milhões de votos entre Flávio e Lula no domingo supere a vantagem de Lula sobre seu pai no segundo turno de 2022.
O elemento unificador da direita eleita em 2026 é o antipetismo, ainda que pouco substancial. A decisão final parece depender dos debates que ocorrerão em três emissoras: Band, em 11 de outubro (domingo); Record, em 18 de outubro (domingo); e Globo, em 23 de outubro (sexta‑feira). Caso ambos os candidatos participem dos três eventos, a eleição, ainda considerada pobre, será marcada por um rico confronto de ideias.
Este quiz foi produzido pelo projeto Irineu, iniciativa de inteligência artificial do portal, com toda a produção supervisionada por jornalistas.
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Com informacoes de O GLOBO.

