Direita se aproxima do número necessário para aprovar mudanças constitucionais no Congresso após nova onda eleitoral
Após uma nova onda nas eleições de 2026, a coalizão de direita liderada pelo Partido Liberal (PL) de Flávio Bolsonaro se aproxima do patamar necessário para aprovar alterações constitucionais tanto na Câmara quanto no Senado.
Na Câmara dos Deputados, as projeções apontam que o PL terá 121 assentos, superando os 99 atuais, enquanto no Senado a bancada deve alcançar 28 cadeiras, quase o dobro das 15 existentes.
O pleito resultou na renovação de dois terços dos senadores no domingo, e Flávio Bolsonaro ficou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno, com 47,03 % dos votos contra 45,16 % do petista.
Desde a fase final da campanha, Flávio tem negociado uma aliança com o Novo, partido de Romeu Zema, que ontem declarou apoio à candidatura do PL, reforçando um alinhamento automático na Câmara onde o bloco bolsonarista já soma 131 deputados.
Para alcançar os 308 votos exigidos para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), a coligação precisa obter cerca de 75 % das bancadas de partidos centristas e do Centrão, o que corresponde a 177 votos. Já estão alinhados ao bolsonarismo a federação União‑PP, Republicanos, PSD, MDB e Podemos, cujas bancadas foram eleitas com pautas conservadoras ou regionais; partidos menores como PSDB, PRD, Solidariedade e Avante também podem ser incorporados.
No Senado, a chamada “bancada do impeachment” está próxima do número necessário para destituir um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), bandeira do bolsonarismo. O PL lidera esse grupo com 28 senadores e busca também eleger presidente do Senado e destravar cerca de cem pedidos de impeachment que aguardam na gaveta de Davi Alcolumbre (União‑AP). Com a nova composição, a bancada do impeachment passa a contar com 49 integrantes.
Em decisão liminar no final do ano passado, o ministro Gilmar Mendes (STF) determinou que a remoção de um ministro do Supremo requer dois terços dos votos do Senado (54 votos), e não maioria simples (41). Pesquisas internas do STF realizadas em julho apontavam que o bloco pró‑impeachment poderia alcançar aproximadamente 40 das 81 cadeiras.
Com a atual aliança, os senadores alinhados ao PL já superam os 49 votos necessários para aprovar alterações constitucionais, o que desafia a recondução dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB), e do Senado, Davi Alcolumbre, a partir de fevereiro.
O resultado ultrapassa as projeções internas do próprio STF, mas está em consonância com as últimas pesquisas de opinião que indicavam um avanço da direita nas casas legislativas.
O principal desafio de Hugo Motta e Davi Alcolumbre será conquistar apoio na direita bolsonarista para tentar manter seus cargos nas próximas gestões.
Com informacoes de O GLOBO.

