Ex-mensalheiros tentam volta ao Congresso: João Paulo Cunha eleito, demais ficam como suplentes

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 07/10/2026 14:00
Ex-mensalheiros tentam volta ao Congresso: João Paulo Cunha eleito, demais ficam como suplentes

Foto: via Gazeta do Povo

O Partido dos Trabalhadores (PT) elegeu apenas um dos quatro antigos nomes do partido envolvidos nos escândalos do Mensalão e da Operação Lava Jato que tentaram retornar ao Congresso. Com 109.548 votos, o ex‑presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT‑SP) foi eleito deputado federal por média pela Federação Brasil da Esperança, aliança formada por PT, PCdoB e PV.

José Dirceu (PT‑SP) recebeu 78.450 votos e ficou como sexto suplente da federação; Delúbio Soares (PT‑GO) e André Vargas (PT‑PR) também ficaram como suplentes da Casa Baixa, completando o grupo de antigos companheiros que participaram dos episódios que marcaram os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e da ex‑presidente Dilma Rousseff.

João Paulo Cunha comandou a Câmara de 2003 a 2005, durante o primeiro mandato de Lula, e foi um dos políticos mais importantes do PT. Foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Mensalão por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, cumpriu pena e recebeu, em 2016, indulto natalino com base no Decreto 8.615/2015 da então presidente Dilma Rousseff, após o STF reconhecer que preenchia os requisitos para o benefício. Após o indulto, passou a atuar como advogado em Brasília.

Em 2025, Lula o chamou publicamente para retornar à política durante um evento em Osasco, principal base eleitoral do ex‑deputado, dizendo: “João Paulo, você trate de voltar para a política. Pare de ganhar dinheiro como advogado em Brasília. Pare de querer ganhar dinheiro em Brasília, venha para a porta de fábrica fazer comício”. Em 2026, Cunha justificou a candidatura à Câmara afirmando: “Foram anos de trabalho, reflexão e dedicação à advocacia, mas o momento do país pede responsabilidade, diálogo e gente preparada para reconstruir caminhos. Se eu puder ajudar o Lula a governar, fortalecer nossa região e melhorar a vida da população, estarei presente.”

Lula priorizou nomes que haviam ocupado posições de destaque nas primeiras gestões petistas e que, depois das condenações, caíram no ostracismo. O presidente declarou que esperava vencer no primeiro turno: “Nós vamos derrotá‑los”. Contudo, Lula saiu atrás de Flávio, chegou ao segundo turno sem apoios expressivos, enquanto Flávio impôs revanche a Lula e passou a ser favorito ao segundo turno.

José Dirceu, 79 anos, ex‑ministro da Casa Civil de Lula e ex‑presidente do PT, foi um dos principais articuladores políticos dos primeiros governos de Lula e figura central do Mensalão. Em 2005, o então deputado Roberto Jefferson (PTB‑RJ) apontou Dirceu como responsável pela articulação do esquema de pagamento a parlamentares em troca de apoio ao governo; naquele ano, Dirceu deixou a Casa Civil e teve o mandato cassado pela Câmara. No julgamento do Mensalão, foi condenado a sete anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha, cumpriu parte da pena em regime fechado na Penitenciária Papuda, em Brasília, antes de passar ao regime domiciliar. Foi preso novamente em 2015, durante a Lava Jato, e recebeu novas condenações relacionadas ao esquema de corrupção na Petrobras. Em 2024, o ministro Gilmar Mendes, do STF, anulou os atos processuais da Lava Jato contra o ex‑ministro conduzidos pelo então juiz Sergio Moro, hoje governador eleito do Paraná pelo PL. Com a recuperação dos direitos políticos, Dirceu passou a trabalhar para reconstruir sua presença pública, chegou a ser cotado para disputar uma vaga ao Senado, mas acabou optando pela Câmara, onde durante a campanha retomou a atividade política e fez críticas frequentes ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito no domingo (4).

Delúbio Soares, 70 anos, ex‑tesoureiro do PT, ficou associado ao chamado “Valerioduto”, sistema de recursos operado pelo publicitário Marcos Valério e apontado nas investigações como fonte de pagamentos a parlamentares. Foi condenado pelo STF a seis anos e oito meses de prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha, cumpriu parte da pena em regime semiaberto e passou à prisão domiciliar. Em 2016 recebeu perdão da pena por indulto natalino. Também foi alvo da Lava Jato e chegou a ser condenado em processos conduzidos pelo então juiz Sergio Moro; as condenações foram anuladas pelo Superior Tribunal de Justiça em 2023. Ao anunciar a intenção de disputar a eleição, Delúbio afirmou que pretendia ajudar a ampliar a bancada petista e apoiar Lula no Congresso, declarando: “Estou colocando meu nome à disposição do meu partido, da Federação Brasil da Esperança, para que em julho ele seja aprovado. O que estou pedindo é apoio político para que a gente possa, em 2026, vencer as eleições no Brasil.” Em entrevista à Folha de S.Paulo em junho, resumiu sua posição defendendo o retorno às urnas.

André Vargas (PT‑PR) também ficou como suplente da Câmara, completando a lista de antigos mensaleiros que buscaram retomar cargos legislativos, embora não tenha registrado votos suficientes para eleger-se diretamente.

O retorno desses nomes ao cenário político evidencia a estratégia do PT de ampliar sua bancada no Congresso, contando com o apoio de Lula e de lideranças que ocuparam cargos de destaque nas primeiras gestões petistas, apesar das condenações e da controvérsia que ainda os cercam.

Com informacoes de Gazeta do Povo.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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