Direita consolida força nas urnas de 2026 e PT sofre derrota histórica em São Paulo
Elio Gaspari argumenta que a direita chegou para ficar ao analisar os resultados das eleições de 2026, destacando a humilhante derrota do PT no estado de São Paulo e a consolidação do conservadorismo nacional.
Em 1974, durante o regime militar, a oposição surpreendeu ao eleger 16 dos 22 senadores disponíveis, numa época em que os governadores eram escolhidos indiretamente, tornando a disputa ao Senado a maior eleição majoritária da história daquele período.
Desde a eleição presidencial de 2022, o mapa eleitoral tem mostrado o bolsonarismo predominante nas regiões Sul e Sudeste, enquanto o apoio a Lula se concentra no Nordeste.
Nas urnas de 2026, o PT sofreu uma derrota marcante em São Paulo: a vitória de Orestes Quércia foi considerada inimaginável, ao ponto de Ulysses Guimarães recusar a disputa ao Senado; o partido perdeu a capital por margem de 1 milhão de votos, lançou Fernando Haddad à frente da campanha e foi derrotado com diferença de seis milhões de votos, equivalentes a 36% do total.
Embora se discuta que Tarcísio de Freitas seja o governador do estado, a análise questiona por que José Dirceu não conseguiu eleger-se deputado federal, indicando uma ruptura na tradicional elite petista.
A derrota atingiu também figuras de destaque: Marina Silva, candidata ao Senado, foi ultrapassada por Guilherme Derrite, considerado politicamente incorreto; Rui Falcão, ex‑presidente do PT, também saiu derrotado, evidenciando a decapitação da nobreza petista.
A comparação entre 1974 e 2022 revela um padrão de cansaço do eleitorado: em 1974 havia esgotamento da ditadura, enquanto em 2022 surgia um certo descontentamento com o PT, confirmação que se reiterou no primeiro turno de domingo (4).
Em 2018, a onda conservadora contava com a Lava Jato em destaque, Lula encarcerado e o PT sem candidato forte; já em 2026 não há mais Lava Jato, e o candidato do PT é Lula, que já cumpriu três mandatos, embora as pesquisas mostrem seu governo com avaliação negativa.
Um ponto constante nas surpresas eleitorais foi a derrota de quase todos os candidatos que pareciam ter obrigação de vitória: em 1974 os paulistas esperavam eleger o ex‑ministro e ex‑governador Carvalho Pinto; em 2026 esperavam eleger o ex‑prefeito e ex‑ministro Fernando Haddad; Marina Silva, que parecia ter direito a uma cadeira no Senado, perdeu para Guilherme Derrite, assim como Eduardo Suplicy perdeu para o major Olímpio em 2018.
Lula, após a vitória de 2022, concedeu a vice‑presidência a Geraldo Alckmin, seu adversário nas eleições de 2006, e tem menos de um mês para definir seu próximo movimento político.
A diferença de votos entre Flávio e Lula no domingo foi de 2,3 milhões, superior à margem que separou Lula de Jair em 2022.
Segundo Gaspari, a única força que une a direita eleita em 2026 é o antipetismo, e o futuro do confronto parece depender dos debates que ainda deverão acontecer, atualmente previstos em três ocasiões.
Com informacoes de Folha de S.Paulo.

