Toffoli declara suspeição e se abstém de votar em julgamento que pode abrir investigação contra Moraes
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli declarou suspeição por motivo de "foro íntimo" e informou que não votará no julgamento que pode decidir pela abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
Toffoli, que havia deixado a relatoria das apurações envolvendo o Banco Master em fevereiro após a Polícia Federal apontar ligações com a instituição, explicou que a suspeição não decorre de impedimento, mas de preservação da Corte diante de possíveis especulações.
Em pronunciamento, o magistrado afirmou: "Entendo que, como tenho me manifestado na turma pela suspeição — e reforço, não por me sentir impedido, mas por suspeição de foro íntimo, para preservação da Corte, no ponto de vista de eventuais especulações —, eu declaro a minha suspeição para participar desse julgamento, mas não me retirarei". Toffoli acrescentou que permanecerá na sessão e, se considerar necessário, intervirá nos debates, mas não votará.
Além de Toffoli, o ministro Nunes Marques declarou impedimento de participar da votação, justificando que, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e diante da proximidade das eleições, "não se sente confortável em votar".
O STF decidirá, nesta terça-feira, 15 de setembro, sobre a validade de relatório elaborado pela Polícia Federal (PF) que contém 52 mensagens trocadas entre o ex‑dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes, mensagens que sugerem tentativa de blindagem contra investigações. O relatório foi solicitado pelo ministro André Mendonça, relator do caso.
A Procuradoria‑Geral da República (PGR), por meio do procurador Paulo Gonet, pediu a nulidade do documento, argumentando que Mendonça não teria legitimidade para requerer apurações sobre o destinatário das mensagens sem pedido do Ministério Público ou da própria PF.
Investigações da PF também revelaram vínculos entre Toffoli e negócios ligados ao Banco Master. Em 2021, uma empresa dos irmãos do ministro, identificada como Maridt, vendeu a um fundo de investimentos chamado Arleen, que está associado ao fundo Leal, cujo responsável é o cunhado de Daniel Vorcaro, participação que totalizou R$ 3,1 milhões. A empresa Maridt manteve participação no resort Tayayá, no Paraná, até o ano passado.
Desde que deixou a relatoria, Toffoli não participou de julgamentos da Segunda Turma do STF relacionados ao caso Master, inclusive aqueles que confirmaram a prisão de Daniel Vorcaro, de familiares e do ex‑presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Ele também se declarou suspeito em pedido que cobria a instalação de uma CPI do Master na Câmara dos Deputados.
Como já apontado em coberturas anteriores do portal, este não é o primeiro episódio envolvendo acusações entre Moraes e figuras ligadas ao Banco Master; em 15 de setembro, o ministro Alexandre de Moraes denunciou diálogos com Vorcaro como fantasiosos e acusou André Mendonça de farsa incriminatória, e o STF realizou sessão plenária inédita para analisar o relatório da PF.
Com informacoes de G1 Política.

