Salário mínimo e aposentadoria: propostas dos candidatos à Presidência

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 20/09/2026 12:35
Salário mínimo e aposentadoria: propostas dos candidatos à Presidência

Foto: PTQ/afp

Os planos de governo divulgados pelos candidatos à Presidência trazem diversas propostas sobre o salário mínimo, as aposentadorias e a estrutura da Previdência Social, abordando questões como indexação, reajuste real e necessidade de nova reforma.

O governo Lula (PT) mantém a regra que garante ganho real na correção do salário mínimo, calculada a partir da inflação mais o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores, com um teto de 2,5%; caso o PIB não cresça, o ajuste limita‑se à inflação.

O Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) aponta que as despesas com aposentadorias e demais benefícios do INSS devem alcançar R$ 1,218 trilhão em 2027, representando alta de 7,92% em relação à previsão de 2026, o que pode pressionar as contas públicas em um cenário de necessidade de contenção de gastos.

Desindexar benefícios significa desvincular o reajuste automático a indicadores como o salário mínimo, permitindo que cada benefício tenha regra própria ou seja ajustado anualmente por decisão governamental.

Segundo o plano de governo registrado na Justiça Eleitoral, o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva propõe manter a regra de reajustes reais para trabalhadores, aposentados e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Em relação à Previdência, pretende diversificar as fontes de custeio, reestruturar a base de financiamento e regulamentar a contribuição previdenciária no trabalho mediado por aplicativos, além de ampliar o acesso ao regime. O documento não menciona alterações no cálculo dos benefícios nem no salário mínimo.

O candidato do Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, apresenta proposta de digitalização dos processos previdenciários e gestão profissional sem interferência de entidades sindicais. Ele propõe um pacote antifraude na Previdência e a blindagem dos fundos de pensão das estatais contra indicações políticas, além de uma "ampla revisão normativa infralegal" que inclui questões previdenciárias. O plano também prevê corte de, no mínimo, dez ministérios, redução de cargos comissionados e combate a supersalários. Em entrevista à Globo, Flávio Bolsonaro não respondeu se pretende manter a vinculação das aposentadorias ao salário mínimo, afirmando apenas que não pretende fazer economia “em cima dos aposentados”.

O candidato à presidência Augusto Cury não inclui em seu plano menções à desindexação ou a reajustes nos cálculos de benefícios ou do salário mínimo. Em entrevista à Globo, garantiu que o salário mínimo terá, no mínimo, reposição da inflação mais 1% ao ano, declarando: "A minha proposta é muito clara. Nós precisamos ter uma classe média pujante. Vamos repor a inflação +1% ao ano".

Ronaldo Caiado, também sem menção a desindexação ou mudanças nos cálculos, afirmou em entrevista à Globo que pretende manter a regra atual de reajuste do salário mínimo, ainda que adote ajuste fiscal rigoroso. Citou: "O pobre coitado pegando um salário mínimo, o pobre coitado que está vivendo de aposentadoria, deixa eles em paz, pelo amor de Deus. Vamos dar o exemplo que um presidente precisa dar. Vamos cortar na própria carne. Vamos para cima desses salários abusivos". Quando questionado sobre aumento da idade mínima para aposentadoria, não respondeu de forma clara.

Renan Santos propõe a "PEC do Equilíbrio Fiscal" para cortar despesas do governo e pretende desindexar benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo, passando a corrigi‑los exclusivamente pela inflação. Em entrevista à Globo, declarou que não fará política com o salário mínimo e defendeu a necessidade de nova reforma.

Como já mostramos em cobertura do Orçamento 2027, o aumento das despesas previdenciárias é um ponto crítico para o equilíbrio fiscal, e a proposta de desindexação, presente em vários planos, reflete a busca por mecanismos que reduzam a pressão sobre o orçamento. Não é a primeira vez que o PL propõe mudanças na Previdência, como na iniciativa de separar aposentadoria e salário no IRPF, analisada anteriormente.

Com informacoes de G1 Política.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.