Milton Leite, ex-vereador, é alvo de operação policial que investiga suposta ligação ao PCC em São Paulo
Milton Leite, ex-vereador pelo União Brasil, foi incluído em operação policial que investiga a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) na política paulistana.
Ele acumulou 27 anos de atuação na Câmara Municipal de São Paulo, exercendo a presidência da Casa em quatro mandatos. Aos 70 anos, iniciou sua carreira política em 1990, primeiro filiado ao PCB e, em seguida, ao MDB.
Ao longo de quase três décadas, consolidou apoio eleitoral na Zona Sul da capital, especialmente no Grajaú. Nas eleições municipais de 2020, foi o segundo vereador mais votado, obtendo 132.716 votos, e registrou o maior gasto de campanha entre os candidatos à Câmara, com despesas aproximadas de R$ 2,5 milhões.
O portal da Câmara indica que Leite exerceu a função de prefeito em exercício por cerca de 100 dias, tornando‑se o presidente da Casa que mais vezes chefiou o Executivo desde a redemocratização. Seu primeiro mandato como presidente da Câmara ocorreu de 2017 a 2019, durante a gestão de João Doria, e foi reeleito para a presidência em três ocasiões consecutivas. Em dezembro de 2022, recebeu 47 dos 55 votos dos vereadores, após alteração na Lei Orgânica que permitiu segunda reeleição e acordo entre bancadas que reservou espaço ao PT, ao PL e ao Republicanos na Mesa Diretora.
Em 2024, cumpriu seu último mandato de vereador e, em agosto, não registrou candidatura pela primeira vez em 27 anos, declarando que seria seu encerramento no Legislativo e que pretendia atuar no setor privado. Apesar da saída, manteve influência nos bastidores e, em dezembro de 2024, indicou Ricardo Teixeira, então secretário de Mobilidade e Trânsito, como sucessor na presidência da Câmara; Teixeira foi eleito em 1 de janeiro de 2025.
Leite também assumiu a presidência do diretório estadual do União Brasil e, em junho de 2025, recebeu da Assembleia Legislativa de São Paulo o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, a mais alta distinção da Casa, evento que reuniu políticos de diferentes partidos e foi interpretado por aliados como estímulo a um eventual retorno à política.
No âmbito esportivo, em 2023 integrou a chapa de André Luiz Oliveira, conhecido como André Negão, como candidato a vice‑presidente do Corinthians; a chapa foi derrotada por Augusto Melo. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em dezembro de 2024, Leite descreveu a derrota como “uma das poucas derrotas que tive”, explicou que aceitou o convite por ser corintiano e afirmou que a função de vice‑presidente não teria atuação efetiva durante seu mandato congressista.
Dois de seus filhos seguem a carreira política: o deputado estadual Milton Leite Filho e o deputado federal Alexandre Leite, ambos pelo União Brasil.
Fora do Legislativo, Leite mantém vínculo com o setor de transporte por ônibus e com a Liga das Escolas de Samba de São Paulo, sendo presidente de honra da escola de samba Estrela do Terceiro Milênio, do Grajaú, que ingressou no Grupo Especial do carnaval paulistano em 2023, após vencer o Grupo de Acesso em 2022.
Em declaração enviada ao Poder360, Leite negou qualquer relação com o PCC e afirmou que sua relação com as empresas de ônibus era institucional. Segundo ele, em 2019, a pedido do então prefeito Bruno Covas, ficou responsável por conduzir assuntos relacionados à área de transportes, participou de reuniões com funcionários da SPTrans e atuou nas negociações da greve dos trabalhadores do setor.
Com informacoes de Poder360.

