J&F pede registro de companhia aberta na CVM e avança na transformação em conglomerado industrial
A J&F, holding dos irmãos Wesley e Joesley Batista, solicitou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o registro como companhia aberta na categoria B, com o pedido formalizado no dia 14 de setembro de 2026 e atualmente em análise pela autarquia.
O enquadramento na categoria B não implica a negociação de ações na bolsa, mas permite que a empresa capte recursos no mercado de capitais por meio da emissão de títulos de dívida, como debêntures. A J&F já atua nesse segmento; em 2024 captou R$ 1 bilhão por meio de debêntures destinadas a investidores profissionais.
Essa iniciativa integra a reestruturação anunciada pela J&F em fevereiro, quando a companhia deixou de se chamar J&F Investimentos e adotou a denominação J&F S.A., sinalizando a intenção de deixar de ser apenas uma holding de investimentos.
O grupo controla negócios como a JBS (JBSS32), Âmbar Energia, Eldorado Brasil Celulose e Flora, além da Lhg Mining. Suas operações abrangem mais de 20 países e empregam cerca de 297 mil pessoas, das quais aproximadamente 180 mil trabalham no Brasil.
No primeiro trimestre de 2026, a J&F registrou receita líquida consolidada de R$ 119,6 bilhões, alta de 1,8 % em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o EBITDA ajustado somou R$ 7,8 bilhões.
A reorganização prevê a incorporação integral dos negócios controlados pela J&F, iniciando pela Âmbar Energia. A única exceção é a JBS, que continuará como companhia separada. O grupo passará a organizar suas atividades em cinco frentes: alimentos (JBS), energia (Âmbar), celulose (Eldorado Brasil), higiene e cosméticos (Flora) e mineração (Lhg Mining).
O objetivo da estratégia é diversificar as fontes de receita, reduzir a exposição individual aos riscos de cada segmento e melhorar as condições de captação de recursos. Embora as operações continuem a funcionar de forma independente, a gestão financeira será centralizada, permitindo à J&F direcionar capital entre os diferentes setores conforme necessário.
A companhia também reforçou sua governança, instituindo um novo conselho de administração e um conselho fiscal formado por três membros independentes.
Além da reestruturação interna, a J&F ampliou sua presença setorial neste ano, adquirindo 90 % da Logás, empresa de logística e distribuição multimodal de gás, e ingressando no setor de energia nuclear ao comprar a participação da Eletrobras (ELET3) na Eletronuclear por R$ 535 milhões. Outra empresa vinculada ao grupo, o PicPay, abriu capital na Nasdaq, levantando US$ 500 milhões.
Com informacoes de Money Times.

