Influenciador Gabriel Spalone é preso novamente em São Paulo por extorsão e ameaça de vínculo ao PCC
O influenciador digital e empresário Gabriel Spalone, que já havia sido alvo de operação policial em 2025 por suspeita de participar de um esquema que desviou R$ 146 milhões por meio do PIX, foi capturado outra vez na capital paulista. A prisão foi efetuada por policiais civis da 1ª Delegacia Antissequestro, vinculada ao Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), que cumpriram mandados de prisão temporária e de busca e apreensão expedidos pela Vara Regional das Garantias de Osasco.
Spalone é acusado de intimidar Marcio Eduardo Nozari e Marcel Rosica Anconi, sócios da empresa Cargobr Transportes Ltda., em razão de uma controvérsia envolvendo uma dívida de valor milionário. De acordo com a denúncia, após ter sido liberado no âmbito da investigação sobre o alegado desvio de R$ 146 milhões, o influenciador passou a cobrar dos empresários uma quantia que alegava ter direito a receber.
Os empresários, por sua vez, sustentam que compensaram a dívida por meio de outro negócio que envolvia Márcio e Spalone, o que teria gerado prejuízo financeiro. A divergência acerca dessa compensação teria motivado as exigências de pagamento feitas por Spalone.
A acusação também aponta que o influenciador passou a ameaçar os dois empresários e o advogado que os representa, identificado apenas como Bruno. Em suas ameaças, Spalone teria afirmado pertencer ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ameaçado sequestrar familiares dos três caso o dinheiro não fosse entregue.
Com base nas denúncias, a Justiça de Osasco autorizou a prisão temporária de Gabriel Spalone, que deverá comparecer a audiência de custódia na quinta‑feira, dia 8. O advogado da defesa, Eduardo Maurício, declarou que ainda não teve acesso aos autos, que tramitam sob segredo de justiça, e negou a participação do cliente no PCC. A defesa pretende solicitar a liberdade do acusado na audiência e, se necessário, requerer a revogação da prisão.
Em fevereiro deste ano, Spalone recebeu liberdade provisória após ter sido detido pela Interpol na Argentina e posteriormente extraditado ao Brasil. Ele responde a processo criminal por furto qualificado e associação criminosa, crimes relacionados ao mesmo esquema de R$ 146 milhões investigado pela polícia de São Paulo.
No mês de setembro de 2025, o influenciador foi apreendido ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Buenos Aires, após ter sido incluído na lista vermelha de procurados da Interpol. A captura contou com o apoio da Polícia Federal, da Polícia Civil de São Paulo e das autoridades da Argentina, Panamá, Paraguai e Estados Unidos.
Após uma passagem por Dubai, Spalone foi retido no Panamá, mas foi liberado porque seu nome ainda não constava na lista da Interpol. Poucas horas depois, seu nome foi adicionado ao alerta vermelho da organização internacional, o que resultou na prisão em Buenos Aires e na posterior extradição ao Brasil.
Em 2025, a Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo realizou outra operação para cumprir mandados de busca e apreensão e prisão temporária contra Spalone, mas o influenciador não foi localizado na ocasião. Na mesma operação, foram detidos Guilherme Sateles Coelho e Jesse Mariano da Silva, suspeitos de ter se beneficiado em quase R$ 75 milhões do esquema.
Segundo as investigações, o esquema utilizava empresas criadas por Spalone que ofereciam serviços financeiros digitais, como câmbio, criptomoedas e pagamentos, porém sem autorização do Banco Central para operar transferências diretas via PIX. As empresas recorriam ao chamado PIX indireto, que se tornou ilegal a partir de janeiro, quando o Banco Central endureceu as regras para fintechs. Em fevereiro do mesmo ano, as empresas de Spalone realizaram, em menos de cinco horas, mais de 600 transferências ilegais por PIX indireto a partir de dez contas de um único banco, totalizando R$ 146 milhões. O banco detectou a fraude e conseguiu recuperar R$ 100 milhões.
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Com informacoes de G1.

