Goldman Sachs aponta risco de “bolha de lucros” no S&P 500 e destaca papel da IA e dos semicondutores

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 18/09/2026 15:25
Goldman Sachs aponta risco de “bolha de lucros” no S&P 500 e destaca papel da IA e dos semicondutores

Foto: via Money Times

A recente aceleração dos lucros das empresas que compõem o S&P 500 tem gerado alarme entre investidores, que temem a formação de uma “bolha de lucros”. O Goldman Sachs calcula que o índice pode registrar um retorno de 14%, atingindo a marca de 8.700 pontos, impulsionado principalmente pela expectativa de que o crescimento dos lucros continue a ser o motor da alta de mercado.

O lucro por ação (EPS) do S&P 500 registrou um salto de 51% no segundo trimestre e de 26% no último ano, colocando os ganhos muito acima da tendência de longo prazo e da relação histórica com o crescimento econômico. Segundo as projeções do banco, o múltiplo preço‑lucro (P/L) está em 19 vezes, exatamente na média dos últimos dez anos. “O múltiplo de mercado calculado sobre lucros ajustados à tendência só foi superado nas últimas décadas durante o pico da bolha das empresas de internet (Dot‑Com)”, ressaltam os analistas.

Embora reconheça fatores que elevaram os lucros a patamares “acima do normal”, o Goldman Sachs prevê um cenário de desaceleração, e não de colapso, do crescimento dos lucros do S&P 500 nos próximos anos. A instituição projeta um aumento de 11% no EPS tanto para 2027 (US$ 415) quanto para 2028 (US$ 460), sustentado por um crescimento sólido do Produto Interno Bruto (PIB) e pela redução gradual do impulso originado pelos investimentos em inteligência artificial (IA), que deverá ser substituído por um aumento da produtividade gerada pela própria IA.

Os preços da energia e as taxas de juros são apontados como riscos macroeconômicos de curto prazo para essas projeções, mas o impacto da IA permanece como a principal questão de longo prazo para os lucros corporativos. De acordo com o banco, o boom de investimentos em IA respondeu por quase metade do crescimento dos lucros do S&P 500 neste ano, mas esse impulso deve começar a perder força no próximo ano, mesmo com a continuidade da expansão dos gastos de capital (capex). O Goldman estima que a contribuição da IA ao crescimento dos lucros passará de 11 pontos percentuais neste ano para um efeito marginalmente negativo em 2028, à medida que o capex desacelera e as despesas de depreciação aumentam.

Um outro ponto de vulnerabilidade identificado são as margens de lucro da indústria de semicondutores, que têm registrado disparada recente. Atualmente, as margens brutas dos semicondutores giram em torno de 70%, mas os analistas esperam que o ritmo de expansão das margens desacelere no próximo ano. Em um cenário adverso, no qual as margens recuariam para a média de 55% dos últimos 15 anos, os lucros do S&P 500 seriam reduzidos em cerca de 10%.

Além disso, a valorização das participações acionárias também está inflando temporariamente os lucros do índice. As grandes empresas de tecnologia de mega capitalização geraram mais de US$ 150 bilhões de “outras receitas” relacionadas a investimentos em participações societárias no segundo trimestre de 2026, o que elevou os lucros do S&P 500 em 12%.

Em síntese, a precificação do mercado incorpora a expectativa de continuidade do crescimento dos lucros, mas também traz um ceticismo saudável quanto à sustentabilidade dos níveis atuais de rentabilidade. Como já analisamos em cobertura anterior, o Goldman Sachs tem alertado sobre riscos em diferentes setores, como nas commodities agrícolas, reforçando a importância de monitorar esses indicadores de forma integrada.

Com informacoes de Money Times.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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