Falta de higienização de liquidificador leva à morte de menina de 12 anos em Londres e impulsiona debate sobre rotulagem de alergênicos
Mia, de 12 anos, estava acompanhada da tia e da irmã quando pediu um milk‑shake de Twix no Pop Inn Café, localizado em Bermondsey, no sudeste de Londres.
O liquidificador utilizado para preparar a bebida havia sido usado anteriormente para fazer um milk‑shake de Kinder Bueno, que contém avelã, e não foi lavado antes de receber os novos ingredientes, gerando contaminação cruzada.
A contaminação cruzada ocorre quando um alimento entra em contato com outro ingrediente, direta ou indiretamente, transferindo substâncias que não deveriam estar presentes no produto final; em pessoas alérgicas, até mesmo pequenas quantidades de um alérgeno podem desencadear reações graves.
Após consumir o milk‑shake, Mia sofreu anafilaxia, uma reação alérgica grave que compromete a respiração e a circulação sanguínea. Ela recebeu atendimento de emergência e foi levada para a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Infantil Evelina London, mas não resistiu.
Imagens de câmeras de segurança mostraram que o responsável pela cafeteria, Baris Yucel, não havia lavado o liquidizador antes de preparar a bebida.
Em janeiro de 2025, Baris Yucel se declarou culpado de seis infrações relacionadas à segurança alimentar, entre elas a falta de informações visíveis sobre alergênicos para os consumidores, a ausência de medidas para evitar a contaminação cruzada e o fornecimento de um produto que continha um ingrediente alergênico que não deveria estar presente.
Yucel foi multado em 18 mil libras (equivalente a R$ 118,8 mil) e condenado a cumprir 100 horas de serviços comunitários.
Os pais de Mia, Adrian St Hilaire e Chanel Spence, defenderam mudanças nas regras de segurança alimentar para reduzir os riscos enfrentados por pessoas com alergias. Eles argumentam que as classificações de higiene dos estabelecimentos não deixam claro como os riscos relacionados a alergênicos são administrados.
Os familiares propõem a criação de uma classificação específica, visível aos consumidores, que avalie os procedimentos adotados para prevenir a contaminação cruzada, permitindo que pessoas com alergias tenham acesso a informações mais claras antes de escolher onde comer.
Além da classificação, os pais pedem que as autoridades adotem medidas para impedir que outras famílias passem pela mesma situação, incluindo a exigência de limpeza rigorosa de equipamentos, a manutenção de liquidificadores exclusivos para uso sem ingredientes alergênicos e a obrigação de informar claramente a presença de alergênicos nos produtos.
Com informacoes de O GLOBO.

