Ex-banqueiro Daniel Vorcaro revela pagamento de R$30 milhões em dinheiro vivo para documentário sobre Lula e Instituto Lula
Em áudio e documentos obtidos pela VEJA, Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e proprietário do Banco Master, que está preso desde março em Brasília sob acusação de protagonizar uma das maiores fraudes bancárias da história do país, afirma ter desembolsado R$30 milhões em dinheiro vivo para financiar a produção de um documentário sobre o presidente Lula e para o Instituto Lula.
Segundo o próprio Vorcaro, o pagamento fazia parte de um esquema de propina que previa a entrega de 10% dos recursos captados junto a fundos de pensão federais a João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, e ao ex‑ministro Alexandre Padilha, com o objetivo de garantir acesso aos cofres da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios.
Os áudios detalham que o valor de R$30 milhões foi entregue “por fora”, em espécie, ao Instituto Lula, cuja gestão ficava a cargo de Paulo Okamotto, amigo próximo do presidente, e que o dinheiro seria destinado à produção de um documentário sobre Lula no exterior, além de um valor adicional não especificado que teria sido pago diretamente ao Instituto.
Provas colhidas pela Polícia Federal apontam que o dinheiro foi retirado por intermediários, que registraram rotas de entrega e que mensagens de WhatsApp comprovariam as transações. A Procuradoria‑Geral da República recebeu um anexo contendo esses elementos em junho, mas decidiu não prosseguir com a investigação, alegando ausência de provas concretas por se tratar de pagamentos em espécie. A defesa de Vorcaro contestou a decisão, sustentando que as mensagens e os registros de retirada do dinheiro constituem evidência suficiente.
O caso ganhou repercussão política quando o presidente Lula utilizou a situação para atacar adversários, inclusive o senador Flávio Bolsonaro, que teria solicitado milhões ao bilionário para supostamente financiar o filme “Dark Horse”. Em entrevista recente, Lula qualificou Vorcaro dizendo: “Vorcaro não era apenas um ladrão, era um mágico” e reforçou que a investigação deve prosseguir “doa a quem doer”.
Em gravações, Vorcaro menciona: “Banco do Brasil a gente estruturou isso com ele… O Augusto adianta ali para o Okamotto do Instituto Lula… O filme do Lula eu coloquei… foi por fora, foi errado… O do Flávio não foi porque foi patrocínio, foi patrocínio normal” (trecho inaudível). O “Augusto” citado refere‑se a Augusto Lima, então CEO do Banco Master, que teria articulado a aproximação com o PT por meio de líderes baianos e do então senador Jaques Wagner, responsável por intermediar o primeiro encontro entre Vorcaro e Vaccari.
Vorcaro relata que, nesse primeiro encontro, ficou estabelecido que, para obter votos suficientes que garantissem o credenciamento junto aos fundos de pensão, seria necessário adiantar, em espécie, aproximadamente R$30 milhões para cobrir despesas do documentário no exterior sobre Lula, além de pagamentos ao Instituto Lula.
O documentário mencionado é “Lula”, dirigido por Oliver Stone, que contou com depoimentos de aliados do presidente, como o advogado Walfrido Warde. Conforme Vorcaro, Vaccari exigiu uma taxa de 10% sobre tudo que o Banco Master captasse nos fundos da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios. Caso o plano fosse bem‑sucedido, o PT embolsaria cerca de R$1 bilhão, enquanto Vorcaro receberia aproximadamente R$9 bilhões.
Um segundo pedido de delação foi apresentado à PGR em junho, mas foi descartado, mantendo o caso sem avanço judicial. A confissão de Vorcaro, entretanto, evidencia uma rede de corrupção que interliga o setor bancário, o poder político e a produção de conteúdo midiático, envolvendo figuras de destaque de diferentes espectros partidários, do PL ao PT, e “irmãos” nos três Poderes da República.
Com informacoes de VEJA.

