Entenda como funciona o software das urnas eletrônicas nas eleições de 2026

Por Theodoro Augusto Martins em Rio Verde, GO 28/09/2026 08:49
Entenda como funciona o software das urnas eletrônicas nas eleições de 2026

Foto: via Canaltech

A urna eletrônica opera com um conjunto de programas criados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para preparar a votação, registrar cada voto, apurar os resultados e gerar os arquivos que serão transmitidos. Antes de chegar às seções eleitorais, esses programas passam por inspeções, testes, assinatura digital e lacração.

O TSE coloca o código‑fonte dos sistemas à disposição para fiscalização e o converte em programas executáveis nas urnas. Desde outubro de 2025, durante o chamado Ciclo de Transparência Democrática, partidos políticos, órgãos públicos, universidades e outras entidades autorizadas podem analisar esse código.

Após a fase de análise, o código é compilado – processo que transforma as instruções escritas pelos programadores em arquivos executáveis – e, em setembro de 2026, o TSE concluiu a compilação, a assinatura digital e a lacração dos sistemas que serão usados nas eleições de 2026.

O sistema operacional que sustenta a urna é o Uenux, uma distribuição Linux desenvolvida especificamente pela equipe técnica do TSE. O Uenux reúne os componentes responsáveis pela inicialização, pelo funcionamento básico e pela execução dos aplicativos eleitorais.

Conforme o próprio TSE, a urna não se conecta à internet em nenhum momento da preparação, da votação ou da etapa posterior. A transmissão dos arquivos ocorre apenas depois da votação, por meio de equipamentos e procedimentos próprios da Justiça Eleitoral.

Quando o eleitor digita o número de um candidato, o software identifica a opção, exibe as informações correspondentes e, após a confirmação, registra o voto no Registro Digital do Voto (RDV). O RDV guarda os votos sem qualquer dado que permita associá‑los ao eleitor, distribuindo as informações em posições diferentes do arquivo para impedir a correlação entre a ordem dos votos e a sequência de eleitores. Cada confirmação gera uma atualização do arquivo com uma assinatura digital, mecanismo criptográfico que garante a autenticidade e a integridade do conteúdo.

Ao término da votação, a urna realiza a apuração eletrônica usando os dados do RDV. O resultado é consolidado no Boletim de Urna (BU), que apresenta a quantidade de votantes, o total de votos por candidato, legenda, branco e nulo, além do horário da apuração. O BU também recebe assinatura digital, é impresso na própria seção e gera arquivos digitais que seguem para as etapas subsequentes. Uma cópia do BU fica disponível na seção, permitindo a conferência do resultado antes da totalização nacional.

A totalização dos resultados não é feita pela urna nem por transmissão via internet. Os arquivos são enviados aos tribunais regionais eleitorais, onde passam por verificações antes de serem incorporados ao resultado final. Um dos mecanismos de verificação é o hash – um resumo digital calculado a partir do arquivo – que muda se qualquer alteração for feita. Para as eleições de 2026, o TSE divulgou publicamente os hashes dos sistemas utilizados, possibilitando a comparação entre os programas encontrados nas urnas e as versões oficiais lacradas.

Essas camadas de assinatura digital, hash e lacração reforçam a garantia de integridade e autenticidade do processo eleitoral, reforçando a preocupação já expressa em outras coberturas do portal sobre segurança digital, como nas discussões sobre regulação de tecnologias avançadas.

Com informacoes de Canaltech.

Theodoro Augusto Martins

Sobre o Autor: Theodoro Augusto Martins

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