Bill Gates defende regras globais para IA e alerta que acordo internacional será mais complexo que tratados nucleares

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 28/09/2026 08:40
Bill Gates defende regras globais para IA e alerta que acordo internacional será mais complexo que tratados nucleares

Foto: via Época Negócios

Bill Gates participou do programa "Meet the Press", da NBC News, neste domingo e afirmou que a imposição de regras às empresas de inteligência artificial, especialmente através de sistemas de monitoramento, não comprometerá a corrida dos Estados Unidos contra a China pelo desenvolvimento de tecnologias avançadas.

O empresário fez as declarações enquanto comentava a postura do presidente Donald Trump, que se opõe a qualquer regulamentação da IA. No início do mês, Trump descartou pedidos para que o governo federal criasse salvaguardas para as companhias que desenvolvem modelos de IA e, em postagem na rede social Truth Social, escreveu: "Quem vencer a IA, vence! Estamos à frente da China e de todos os outros, e continuaremos assim".

Segundo a NBC, Gates ressaltou que a regulamentação baseada em monitoramento não traria prejuízos à disputa entre as nações que o presidente considera relevantes, e que, após ouvir seu ponto de vista e o de outros especialistas, espera‑se a construção de um consenso.

Ele ainda rememorou momentos históricos em que os Estados Unidos lideraram a criação de acordos amplos voltados à proteção da humanidade.

As discussões sobre IA ganharam ainda mais intensidade neste mês depois que Jacob Coxon, ex‑pesquisador da Anthropic que havia deixado a empresa recentemente, alertou publicamente: "As pessoas que estão construindo IA acreditam sinceramente que ela pode matar todos nós até o fim da década".

Poucos dias depois, dois dos principais executivos de empresas americanas de IA — Dario Amodei, da Anthropic, e Sam Altman, da OpenAI — concordaram que é necessário desacelerar o desenvolvimento da tecnologia diante do temor de que a IA alcance uma "superinteligência" superior ao pensamento humano.

Em postagem em seu blog, Amodei escreveu que as companhias que desenvolvem sistemas de IA de fronteira precisam reduzir o ritmo de desenvolvimento, mas apenas até o ponto em que continuem à frente da China, e defendeu a coordenação global entre governos democráticos e autoritários para estabelecer regras para a tecnologia.

Durante a entrevista, Gates alertou que a inteligência artificial tem potencial para provocar eventos capazes de causar "um bilhão de mortes", afirmando que nunca houve arma tão poderosa quanto a combinação de indivíduos mal‑intencionados com as ferramentas de IA mais recentes.

Ele explicou que o perigo mais imediato provém de pessoas com más intenções usando IA para aplicar golpes, desligar redes elétricas ou manipular contas bancárias, ações que antes eram exclusivas de grandes potências.

Gates comparou a situação atual com a época em que apenas países mantinham equipes especializadas em ataques cibernéticos e bioterrorismo, destacando que agora pequenos grupos, equipados com IA, podem realizar feitos antes restritos a nações.

O filantropo enfatizou que a ameaça maior vem da combinação de más intenções com IA, e que, sem exigências governamentais de diferentes tipos de salvaguardas, ocorrerão consequências negativas em grande escala.

Ele defendeu especificamente o monitoramento — "observar o que a IA está fazendo" — como salvaguarda essencial a ser implementada em todos os laboratórios de IA, ressaltando que as autoridades policiais teriam capacidade praticamente nula de intervir em fraudes ou interrupções de redes sem esse acompanhamento.

Gates concluiu que esses mecanismos de segurança podem ser incorporados aos sistemas de IA já existentes sem desacelerar o ritmo de desenvolvimento, indicando que o debate deve focar na inclusão de salvaguardas e monitoramento, e não na paralisação total da pesquisa.

Com informacoes de Época Negócios.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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