Eleições 2026: STF no centro da disputa, centrão dominante e cenário de crise institucional

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 04/10/2026 17:40
Eleições 2026: STF no centro da disputa, centrão dominante e cenário de crise institucional

Foto: via Estadão

O país se prepara para escolher seu próximo presidente neste domingo, 4, enquanto se debate entre a ideia de uma república onde o direito controla o poder e um cenário de leviatã onde o poder domina o direito.

A corrida está intensamente polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), enquanto uma tentativa de terceira via não conseguiu se firmar, gerando dúvidas sobre quem avançará para um eventual segundo turno.

O Estadão disponibiliza 14 análises que abordam diferentes facetas da disputa: William Waack – “Um bom pedaço do atual regime de poder está em jogo”; Eliane Cantanhêde – “Não importa quem vença, o Centrão vai mandar e o STF estará em maus lençóis”; Diogo Schelp – “O que vem depois da pior campanha de primeiro turno da história das eleições presidenciais”; Fernando Schüler – “A república do tapetão?”; Carolina Brígido – “Ministros do TSE elegem principal desafio pré-primeiro turno das eleições 2026: o STF”; Ricardo Corrêa – “País sairá das urnas com feridas abertas, em crise institucional e com cenário adverso para o eleito”; Roseann Kennedy – “Lula enfrentará seu pior adversário - ele mesmo”; Francisco Leali – “Na eleição do vale soco até abaixo da cintura, disputa presidencial já tem um derrotado”; Marcelo Godoy – “Lembre-se do nome do deputado e dos senadores em quem votará para que eles não se esqueçam de você”; Fabiano Lana – “Flávio Bolsonaro e Lula são coadjuvantes do espetáculo na eleição de Vorcaro e do STF”; Silvio Cascione – “Como eventual segundo turno mudará dinâmica da campanha presidencial nas eleições 2026”; Sergio Denicoli – “Brasil vai às urnas em clima de funeral de uma era que insiste em não acabar”; Carlos Pereira – “A politização do STF também vai às urnas”; Carlos Andreazza – “Não é absurdo cogitar intervenção trumpista ou gilmarmendista contra o resultado eleitoral”.

William Waack alerta que “o mais atrevido esforço de parte da burocracia estatal em dirigir o resultado de um pleito terá já no domingo uma boa apreciação da eficácia de seus esforços. A combinação de número de senadores de oposição e a diferença no primeiro turno entre Lula e Flávio Bolsonaro dirá qual é a capacidade desse grupo de conduzir a política”. Ele ainda afirma que “já se enxerga o considerável tamanho do erro político, por parte da ala de força dentro do STF, em fundir a crise interna da instituição com o resultado de uma eleição” e que “ela dispõe de instrumentos de coerção contra adversários internos, especialmente o comando sobre parte relevante de aparatos de segurança como a Polícia Federal. Mas tem bem menos capacidade de controlar os grandes fatores que pesam na formação do voto”.

Eliane Cantanhêde considera improvável que a eleição se decida no primeiro turno e destaca que “nunca antes na história deste País as eleições chegam ao fim tão indefinidas, tensas e com o Supremo Tribunal Federal soterrado por críticas e roubando a cena e, ganhe quem ganhar a Presidência, as únicas certezas são que o Judiciário estará na mira e que o Centrão vai continuar dominando o Legislativo e controlando o Executivo”. Ela acrescenta que “como o segundo turno é sempre considerado ‘uma nova eleição’, as pesquisas, os especialistas e as próprias campanhas de Lula e Flávio continuarão mobilizados – e atolados em dúvidas sobre quem vencerá e temerosos de novas intervenções políticas do Supremo e do próprio TSE, como as que boicotaram o debate da TV Globo na quinta‑feira”.

Diogo Schelp aponta que “desde que a eleição direta em dois turnos para presidente da República foi instituída no Brasil, na Constituição de 1988, não se via uma campanha tão pobre em propostas e em possibilidades de comparação entre os candidatos quanto a deste ano”. Ele critica ainda que “os eleitores foram privados de oportunidades para entender o que os candidatos propõem para resolver os diversos problemas do País, como a má qualidade do ensino básico e o avanço do crime organizado” e que “não houve nenhum debate frente a frente com todos os candidatos, e poucos foram os veículos de imprensa que conseguiram sabatinar todos os melhores colocados nas pesquisas”.

Fernando Schüler resume a situação ao afirmar que “em vez de se fazer cumprir a lei, inventa‑se a lei”, reforçando a sensação de que o direito está sendo subvertido por interesses políticos.

Carlos Andreazza avisa que “não é absurdo cogitar intervenção trumpista ou gilmarmendista contra o resultado eleitoral”, indicando a possibilidade de pressões externas ou internas que possam contestar a legitimidade da escolha popular.

Com informacoes de Estadão.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

Cobre o que o Brasil está buscando agora: famosos, esporte, tech, games e virais.