Eleição 2026 no Rio Grande do Sul tem 8,5 milhões de eleitores, alta indecisão e “dobradinhas” nos debates
Neste domingo (4), 8,5 milhões de eleitores gaúchos compareceram às urnas nas 497 cidades do Rio Grande do Sul para escolher entre sete candidatos ao governo estadual, 13 ao Senado e centenas nas eleições proporcionais.
O pleito de 2026 chega ao fim com um dos maiores índices de indecisão do país, conforme pesquisa da Quaest divulgada no final de agosto que mostrou o RS com a maior taxa de indecisão para presidente da República, o segundo maior para governador e o quarto maior na pesquisa espontânea, em que os candidatos não são apresentados ao entrevistado.
Um levantamento realizado dez dias antes da votação confirmou que a indecisão permanece alta: 1 em cada 4 eleitores (25%) não sabe em quem votar quando apresentado aos candidatos, enquanto na pesquisa espontânea o percentual chega a 61% e 33% dos entrevistados afirmam que ainda podem mudar de voto até o dia da eleição.
O comportamento do eleitorado reflete uma campanha que encontrou dificuldades para avançar no interior do estado. Um mapeamento de agendas feito pelo g1 identificou que, no primeiro mês de campanha oficial (de 16 de agosto a 16 de setembro de 2026), os quatro candidatos mais bem posicionados nas pesquisas – Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) – deixaram de visitar 445 dos 497 municípios.
As cidades mais visitadas foram Porto Alegre e Esteio, seguidas por outros municípios da Região Metropolitana. Não houve agendas na Fronteira Oeste nem em algumas cidades com mais de 100 mil habitantes.
No debate realizado pela RBS TV, o último antes da eleição, Zucco e Juliana escolheram-se mutuamente para enfrentar‑se, mas concentraram suas críticas na atual administração de Eduardo Leite (PSD), governador eleito pela primeira vez em 2018, ao invés de polarizar o antagonismo entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) no cenário nacional.
Já Gabriel e Maranata debateram entre si, acusando os adversários de não participar de debates organizados por associações de setores econômicos do RS e tecendo críticas mútuas.
O debate da RBS TV abordou principalmente o ritmo da reconstrução pós‑enchentes e os rumos da educação no estado, além de trazer à tona a corrupção e o caso Master nos confrontos entre candidatos ao Senado.
Nos debates ao Senado, surgiram as chamadas “dobradinhas”, em que candidatos da mesma chapa se enfrentaram em um ambiente destinado ao confronto de ideias: Frederico Antunes (PSD) e Germano Rigtto (MDB) na chapa de Gabriel; Manuela d'Ávila (PSOL) e Pimenta (PT) na chapa de Juliana; Marcel van Hattem (Novo) e Sanderson (PL) na chapa de Zucco; Milton Cardoso (PSDB) e Renato Jaguarão (Cidadania) na chapa de Maranata.
Enchentes, saúde e educação foram os temas mais discutidos na eleição, figurando nas duas rodadas da Quaest como os principais problemas do estado e sendo os mais tratados no debate da RBS TV.
Gabriel Souza destacou as obras de proteção contra cheias inseridas no Plano Rio Grande, projeto do governo Eduardo Leite criado após a grande cheia de 2024 e voltado à prevenção de mudanças climáticas. O atual vice‑governador ressaltou programas como o SUS Gaúcho e o Todo Jovem na Escola, prometendo zerar a fila da saúde no primeiro mandato.
Juliana Brizola ressaltou projetos aprovados por ela como deputada estadual, como o Pró‑Hospitais, e criticou a fila de espera na saúde. Na educação, enfatizou as escolas de tempo integral, marca da gestão de seu avô Leonel Brizola, e apresentou propostas de sistemas integrados de alertas precoces e monitoramento em tempo real das bacias hidrográficas.
Luciano Zucco, por sua vez, criticou a fila de espera para exames, consultas e cirurgias, apontando a necessidade de melhorias nos serviços de saúde do estado.
Com informacoes de G1.

