Urna eletrônica, invenção 100% tupiniquim, nasceu durante partida de tênis, revela criador
Paulo Camarão, com 84 anos, revelou ao fantom.news curiosidades sobre a criação da urna eletrônica brasileira, concebida para transformar o processo eleitoral.
A ideia surgiu em 1994, durante uma partida de tênis em Brasília entre o ex‑ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Carlos Velloso e o técnico de informática Paulo Camarão.
Na ocasião, Velloso apelidou a futura máquina de "tupiniquim", termo popular que significa algo essencialmente brasileiro, pois a equipe buscou soluções no exterior sem encontrar nenhuma que atendesse às necessidades do Brasil.
Após a partida, Camarão foi nomeado secretário de Informática do TSE e passou a chefiar as equipes que desenvolveriam o equipamento, compostas por engenheiros e pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Técnico Aeroespacial (CTA).
Os técnicos responsáveis foram apelidados de "os ninjas" e incluíam Paulo Nakaya, Mauro Hashioka, Antônio Ésio Salgado, Oswaldo Catsumi e Giuseppe Janino, todos sob a liderança de Paulo Camarão.
Nas reuniões iniciais, foram estabelecidos 22 requisitos que guiariam o desenvolvimento da urna. Um dos requisitos, o teclado numérico, encontrou resistência de políticos que temiam a substituição do nome do candidato pelo número, mas a equipe trabalhou com o Congresso e conseguiu aprovar a exigência.
Outros requisitos previam que o eleitor visualizasse sua escolha na tela antes de confirmar o voto, que a máquina funcionasse sem conexão à internet ou qualquer outra rede, que tivesse bateria própria, fosse resistente, fácil de transportar – capaz de cruzar o país, viajar de barco e chegar a aldeias indígenas – e, sobretudo, simples de usar.
O TSE afirma que a missão foi cumprida: a urna combinou tela, teclado e CPU em um único dispositivo, com teclado semelhante ao de um telefone, permitindo que analfabetos e pessoas com deficiência visual interagissem sem dificuldade.
Em 13 de maio de 1996, as primeiras urnas eletrônicas foram enviadas pelo TSE aos estados, marcando o início da votação informatizada. Naquele ano, mais de 70 mil máquinas foram produzidas e mais de 32 milhões de brasileiros – cerca de um terço do eleitorado da época – usaram a urna nas eleições.
A adoção da urna eletrônica representou a resposta brasileira para eliminar as cédulas de papel, consideradas vulneráveis a fraudes, reforçando a legitimidade da democracia ao garantir a coleta e apuração limpa dos votos.
Em maio de 2024, a urna eletrônica completou 30 anos. Paulo Camarão destacou que o projeto ainda está em operação, aprimorado a cada eleição, e que sobreviveu a críticas e tentativas de desmantelamento.
Segundo o TSE, os principais avanços tecnológicos nos últimos 30 anos incluem:
⚠️ Segurança: arquitetura única no mundo que permite que a urna funcione apenas com sistemas autênticos, uso de criptografias avançadas e lacres físicos mais resistentes.
🗳️ Transparência: mecanismos que possibilitam avaliar a integridade e idoneidade da votação e da apuração.
☝️ Biometria: introdução de identificação biométrica a partir de 2008.
Com informacoes de G1.

