Bradesco BBI rebaixa recomendação da Cogna para neutra e corta preço-alvo em meio à fusão Yduqs/Afya
Em 24 de setembro, o Bradesco BBI revisou sua posição sobre as ações da Cogna (COGN3), passando de compra para neutra e ajustando o preço‑alvo de R$3,80 para R$3,10 ao final de 2027. Mesmo com a redução, o analista ainda indica um potencial de valorização de 35% em relação ao fechamento anterior.
Os analistas Marcio Osako e Henrique Colla explicam que a mudança decorre da combinação de menor atratividade relativa, enfraquecimento da dinâmica operacional e a pressão de um novo marco regulatório que exige maior presença de aulas presenciais. “Embora a ação ainda ofereça potencial de retorno, estimado entre 32% e 38% conforme a métrica adotada, esse patamar é inferior ao observado nas empresas preferidas, sobretudo na Yduqs, cujo retorno total potencial chega a cerca de 61%”, afirmam no relatório enviado a clientes.
Além do ajuste de preço‑alvo, a equipe reduziu a projeção de lucro líquido da Cogna para 2027 em 18%, ficando 13% abaixo do consenso de mercado. A revisão incorpora a expectativa de pressão sobre receitas e margens da Kroton (antiga Cogna) no segundo semestre deste ano.
O Bradesco BBI mantém otimismo quanto ao setor de educação. “Apesar da recente valorização das ações, preservamos uma visão positiva para o segmento, sustentada por valuations ainda atrativos e potencial de retorno total próximo a 60% para as empresas que consideramos favoritas”, destacam Osako e Colla.
Dentro da estratégia do banco, a Yduqs permanece como a principal escolha no setor, seguida por Vitru (VTRU3) e Cruzeiro do Sul (CSED3). As três companhias apresentam um rendimento estimado do fluxo de caixa livre para o acionista próximo a 15% em 2027, com possibilidade de expansão adicional em 2028 diante da esperada queda dos juros.
Para a Vitru, o BBI projeta uma distribuição equivalente a 60% do lucro líquido ajustado de 2026, resultando em dividend yield de aproximadamente 11%, sem impedir uma desalavancagem moderada no próximo ano. “Consideramos essa perspectiva positiva para todo o setor, pois reforça a capacidade de geração de caixa da companhia mesmo com maior exposição ao ensino digital, segmento mais sensível a desafios macroeconômicos e regulatórios”, concluíram os analistas.
Como já apontamos em cobertura anterior da XP Investimentos sobre o setor de educação, a Cogna tem sido objeto de avaliações recorrentes, e a presente reclassificação reforça a necessidade de atenção dos investidores diante das transformações estruturais em curso.
Com informacoes de Money Times.

