Avaliação de Lula permanece estável durante campanha, aponta Datafolha

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 28/09/2026 06:35
Avaliação de Lula permanece estável durante campanha, aponta Datafolha

Foto: Sergio Lima/ AFP

Dados divulgados nesta quinta‑feira (24) pela pesquisa Datafolha indicam que a avaliação positiva do governo Lula está em 34%, a avaliação negativa em 40% e a avaliação regular em 24%.

Quando a campanha eleitoral começou, em 16 de agosto, a parcela de eleitores que consideravam o governo "ótimo" ou "bom" era de 33%. Nos primeiros dias de setembro, o índice recuou para 31% e depois subiu para 32%, retornando a 34% na pesquisa mais recente, mostrando pouca variação ao longo do período.

Durante a campanha, o presidente assinou, na sexta‑feira (25), nove dias antes do primeiro turno, uma medida provisória que proíbe apostas esportivas e jogos online, como o "Tigrinho". No dia 18 de setembro, Lula também anunciou um reajuste no Bolsa Família. Ambas as decisões foram tomadas com a disputa eleitoral já em andamento.

Flávio Bolsonaro (PL) criticou a proibição das apostas esportivas, classificando‑a como "estelionato eleitoral". Essa reação ocorre em meio a uma série de pesquisas que, como já publicamos, colocam Flávio à frente em estados como Espírito Santo, Alagoas, Rio de Janeiro e Acre, reforçando a relevância política do senador nas próximas eleições.

Em comparação histórica, Fernando Henrique Cardoso (1998) viu sua avaliação positiva subir de 38% para 43% entre o início da campanha e o primeiro turno, com a avaliação negativa caindo de 19% para 17%. Em 2006, o próprio Lula aumentou a avaliação positiva de 38% para 47% até o primeiro turno e chegou a 53% antes do segundo turno, enquanto a avaliação negativa caiu de 21% para 15%. Dilma Rousseff (2014) registrou aumento de 32% para 39% na avaliação positiva até o primeiro turno e atingiu 42% antes do segundo turno, com a avaliação negativa reduzindo de 29% para 20%.

Jair Bolsonaro (2022) teve avaliação positiva variando de 30% a 31% no primeiro turno e subindo para 38% antes do segundo turno; a avaliação negativa passou de 43% para 44% na primeira fase e recuou para 39% na segunda fase. Bolsonaro foi o único candidato a chegar ao primeiro turno com avaliação negativa superior à positiva e também o único que não conseguiu a reeleição.

Felipe Nunes, cientista político e diretor da Quaest, afirmou que a dificuldade de melhorar a avaliação é o "principal calcanhar de Aquiles da campanha de Lula". Segundo Nunes, "existe um efeito de campanha, mas ele não é automático. Durante a eleição, o presidente ganha mais oportunidades de mostrar entregas, defender seu governo e contrastá‑lo com a alternativa. Isso pode levar parte de quem o avaliava como regular a passar a considerá‑lo bom, mas a campanha também expõe problemas e amplia a cobrança".

O cientista político Antônio Lavareda explicou que a campanha oferece aos candidatos a chance de divulgar suas realizações, o que costuma melhorar a avaliação. Lavareda acrescentou que, à medida que a eleição se aproxima, a avaliação do governo tende a convergir com a intenção de voto, permitindo que eleitores que decidem apoiar o presidente também melhorem sua percepção sobre a gestão.

Analistas apontam ainda que o chamado "escândalo do Master" tem desviado a atenção do eleitorado nesta disputa, dificultando ainda mais a tarefa de Lula de convencer eleitores que ainda não percebem melhorias significativas em suas vidas.

Em síntese, enquanto presidentes como FHC, o próprio Lula em 2006 e Dilma Rousseff conseguiram elevar suas avaliações durante períodos eleitorais anteriores, o atual governo ainda não conseguiu registrar avanço significativo, mantendo a avaliação positiva em 34% e a negativa em 40% até a véspera do primeiro turno.

Com informacoes de G1 Política.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.