Advogado de Vorcaro propõe estratégia para livrar Alexandre de sanção da Lei Magnitsky

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 23/09/2026 07:20
Advogado de Vorcaro propõe estratégia para livrar Alexandre de sanção da Lei Magnitsky

Foto: via O GLOBO

Em mensagem enviada em 1º de agosto de 2025, o advogado Warde escreveu a Vorcaro afirmando que possui uma estratégia capaz de ajudar o amigo Alexandre nos Estados Unidos, sugerindo a intervenção da Corte Interamericana de Direitos Humanos. O texto continha a frase: “Acho que nós deveríamos ajudar na defesa do seu amigo Alexandre lá nos EUA. Eu, além das relações, tenho uma estratégia matadora para ajudá‑lo na corte de direitos humanos”.

Vorcaro respondeu afirmando: “Vamos. Vou falar com ele.” Warde prosseguiu dizendo que não havia ninguém melhor para auxiliar, que não exigia nada em troca e que o presidente americano estaria usando a lei e os poderes presidenciais para atacar um juiz togado brasileiro, com o objetivo de viabilizar a eleição de Jair Bolsonaro nas eleições de 2026. Segundo Warde, Bolsonaro seria acusado de golpe de Estado e teria processos na Suprema Corte do Brasil.

A proposta de Warde faz parte de um conjunto de investigações conhecido como “Caso Master”, que inclui diversas ações e documentos. Entre eles, um relatório da Polícia Federal que identificou 52 mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro, documento que está sob análise do plenário do Supremo Tribunal Federal após pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Dentro do mesmo “Caso Master”, há referência a uma ofensiva sobre Nunes Marques que poderia servir para blindar Moraes em uma eventual sucessão no STF. Também foi mencionado que a advogada do Master financiou a viagem de Kassio e contratou o cantor Safadão para a festa da filha, episódio rotulado como “Turma do KN”.

Dois dias antes de um diálogo entre as partes, Moraes foi incluído na lista de alvos da Lei Magnitsky, criada entre 2009 e 2017 no governo de Barack Obama para punir autoridades estrangeiras por violações de direitos humanos. A medida previa sanções comparáveis a uma “pena de morte financeira” e foi utilizada por apoiadores de Bolsonaro em Washington D.C. para retaliar o avanço das investigações da suposta trama golpista. Moraes permaneceu sob a sanção por seis meses, deixando o rol de sancionados em dezembro de 2025, quando as relações entre Brasília e Washington começaram a se distender.

Outra planilha enviada a Vorcaro continha a proposta de pagamento de R$ 1 milhão ao ex‑cunhado de Gilmar Mendes. Mensagens adicionais revelaram que Vorcaro se descrevia como “o número 1” de Hugo Motta.

Apesar da pressão da Casa Branca, que qualificou o processo como “caça às bruxas”, Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal em setembro do ano passado.

Warde afirmou que a linha de defesa de Moraes sustentaria que o ministro seria vítima do manejo da Lei Magnitsky contra seus direitos fundamentais, acrescentando: “A gente iria pra Corte Interamericana de Direitos Humanos contra o Trump na [pessoa] física”.

No chamado “Caso Buzzi”, a Advocacia‑Geral da União entrou com ação no STF pedindo a perda de cargo de um ministro acusado de assédio. Paralelamente, uma manobra do ministro do Tribunal Superior Eleitoral impediu a liberação de imagem de Bolsonaro em santinhos eleitorais.

Um áudio obtido pelos investigadores mostrou Warde sugerindo a convocação de dez juristas para declarar que os fatos estavam ocorrendo, antes de mudar o assunto para questões financeiras relacionadas ao Master.

Vorcaro mantinha relação próxima com o ministro Moraes, que agora pode ser alvo de investigação devido às suas conexões com o proprietário do Master. O caso aguarda decisão do plenário do Supremo após a suspensão da discussão sobre a validade do relatório da PF que detectou as 52 mensagens.

Em outro desdobramento, PH Costa, preso na “Papudinha”, ex‑presidente do BRB, manifestou interesse em retomar aulas de direito penal e gestão financeira. Enquanto isso, o Master, em reação à crise no STF, teria sido citado como fonte de proposta de reforma do Judiciário apresentada pelo presidente Lula.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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