Venda de ativos da CSN ganha impulso com novo CEO e eleva desempenho de títulos

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 18/09/2026 19:00
Venda de ativos da CSN ganha impulso com novo CEO e eleva desempenho de títulos

Foto: via Bloomberg Línea Brasil

Os títulos de dívida emitidos pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) registraram um dos melhores desempenhos entre os papéis de mercados emergentes após a chegada de Fabio Schvartsman, ex‑presidente da Vale, ao cargo de diretor‑executivo, anunciado em 2 de setembro.

A troca de liderança, que substitui Benjamin Steinbruch, à frente da companhia há duas décadas, foi interpretada como um marco simbólico de renovação, segundo o analista Nicolas Giannone, da Balanz, que destacou a importância de um executivo externo à família controladora para concretizar negócios em pauta há anos.

Desde o anúncio, os bonds da CSN (código CSNA3) renderam, em média, cerca de 5 % ao ano, enquanto um índice amplo de dívida corporativa de países emergentes apresentou queda de 0,5 %, evidenciando a atratividade dos papéis da siderúrgica.

O programa de venda de ativos da CSN, que tem como objetivo reduzir o elevado endividamento, avançou com a negociação da unidade de cimento. Três grupos – Huaxin, Votorantim e Polimix – apresentaram ofertas vinculativas próximas a R$ 11 bilhões cada, valores inferiores à expectativa de R$ 15 bilhões, mas que podem ser aceitos pela empresa.

A referida unidade está vinculada como garantia a um empréstimo concedido em março, no mínimo US$ 1,2 bilhão, conforme fontes que preferiram permanecer anônimas.

Paralelamente, a CSN busca desinvestir a Stahlwerk Thuringen (SWT), fábrica alemã adquirida em 2012 por US$ 634 milhões, cujas negociações também são confidenciais.

Outras propostas envolvem ativos de infraestrutura, que podem ser alienados individualmente em vez de vender uma participação minoritária no conjunto de negócios de infraestrutura que a companhia pretendia desinvestir.

Os últimos preços de mercado mostraram queda nas ações da CSN (CSNA3) em 6,40 % (cotação 5,85) e da CSN Mineração (CMIN3) em 4,88 % (cotação 5,46). O Ibovespa recuou 0,41 %, para 185.229,17 pontos, enquanto o dólar subiu 0,26 %, para 5,1421 reais. Os dados podem apresentar atraso de até 20 minutos.

Acionistas da CSN Mineração consideram ampliar sua participação, embora não tenham sido identificados. A Itochu Corporation detém 10,85 % das ações, aquisição realizada em 2024 por R$ 4,42 bilhões, e a Japão Brasil Minério de Ferro Participações, subsidiária da Itochu, possui 9,35 %.

Steinbruch permanece como presidente do conselho, sendo reconhecido como negociador exigente nas vendas de ativos. A última alienação de controle da CSN ocorreu em 2018, quando a empresa recebeu US$ 400 milhões pela venda da CSN LLC, unidade siderúrgica nos Estados Unidos.

Investidores demonstram otimismo quanto à capacidade de Schvartsman, cuja trajetória inclui a liderança da Vale e da Klabin, para acelerar o desinvestimento e reverter a trajetória de endividamento. O sócio César Fernández, da Alpha Credit Advisors, ressaltou que o novo diretor tem competência para conduzir o plano de vendas e estabilizar a dívida da companhia.

Com informacoes de Bloomberg Línea Brasil.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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