EUA firmam acordo com Dinamarca para controle permanente da segurança da Groenlândia
Na tarde de sexta‑feira (18), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou a existência de um pacto com a Dinamarca destinado a conferir aos EUA controle permanente sobre a segurança e a defesa da Groenlândia.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que o acordo assegura aos Estados Unidos a capacidade de, "para sempre", adotar as medidas necessárias para proteger a ilha e os interesses americanos, qualificando o tratado como "infinito", "histórico" e "especial".
A Groenlândia integra o Reino da Dinamarca, mas possui governo autônomo desde 2009, quando a Constituição dinamarquesa concedeu-lhe autonomia política, permitindo inclusive a realização de referendo para eventual independência.
O interesse dos EUA na região não é novidade; já no passado o país demonstrou vontade de adquirir ou controlar a ilha por razões de segurança, mantendo atualmente uma base militar no território.
De acordo com o texto do acordo, nenhum adversário dos Estados Unidos poderá instalar bases militares nem realizar investimentos considerados sensíveis na Groenlândia sem a autorização prévia do governo americano.
A primeira‑ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, declarou que o tratado será assinado na próxima semana, durante a Assembleia Geral da ONU, e ressaltou que ele reforça a segurança conjunta no Ártico e no Atlântico Norte, beneficiando a OTAN e a Europa.
O primeiro‑ministro da Groenlândia, Jens‑Frederik Nielsen, afirmou que o acordo reconhece e respeita os interesses da população groenlandesa, ao mesmo tempo em que preserva a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca.
Do ponto de vista estratégico, a Groenlândia ocupa posição geográfica que pode hospedar sistemas de defesa capazes de interceptar mísseis provenientes da Europa ou do Ártico, além de possuir reservas de minerais, petróleo e gás natural, embora a extração mineral enfrente resistência de povos indígenas e a exploração de petróleo e gás esteja proibida por questões ambientais.
O aquecimento do Ártico, que tem provocado o derretimento do gelo, eleva a relevância da região ao abrir novas rotas marítimas, potencialmente encurtando trajetos comerciais e atraindo o interesse da China, que investe em navios quebra‑gelo e busca acesso a minerais estratégicos para sua produção de veículos elétricos e turbinas eólicas.
Historicamente, durante a Guerra Fria, tanto a Rússia quanto os Estados Unidos mantiveram armas nucleares e submarinos no Ártico; atualmente, além das disputas militares, a área abriga plataformas de petróleo e gás e cabos de fibra óptica que sustentam comunicações globais.
O anúncio de Trump ocorre após meses de tensão bilateral e negociações sobre o futuro da Groenlândia, culminando na assinatura prevista para a próxima semana na ONU.
Com informacoes de G1.

