UE convida Canadá a ser membro associado enquanto Trump ameaça tarifas e aponta ao Canadá como 51º estado dos EUA

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 18/09/2026 07:00
UE convida Canadá a ser membro associado enquanto Trump ameaça tarifas e aponta ao Canadá como 51º estado dos EUA

Foto: via O GLOBO

A União Europeia enviou, nesta quarta‑feira, um convite formal ao Canadá para que se torne um "membro associado" da organização, sinalizando um novo grau de cooperação entre as duas nações.

Segundo James Batchik, vice‑diretor do Centro Europa do Atlantic Council, a iniciativa da UE é consequência direta da diplomacia agressiva de Donald Trump, que tem usado ameaças contra aliados tradicionais para pressionar negociações. "A retórica sobre transformar o Canadá no 51º estado e as ameaças contra a Groenlândia permanecem extremamente controversas e são lembradas em Bruxelas como evidência de que os EUA não são mais o aliado confiável de antes", afirmou.

A postura confrontadora de Trump tem gerado repercussões internas nos Estados Unidos. A guerra comercial iniciada contra o Canadá gerou dificuldades para republicanos em estados‑pêndulo, colocando em risco o controle do Partido Republicano sobre o Senado. Ao mesmo tempo, a hostilidade de Trump com líderes canadenses contribuiu para a vitória eleitoral do Partido Liberal do Canadá, tradicionalmente crítico de Trump.

Em resposta ao convite europeu, Trump manifestou fúria em entrevista com jornalistas na noite de quarta‑feira, declarando: "O Canadá tem sido um péssimo parceiro comercial. Não vejo isso com bons olhos. Se fizerem isso, se eu considerar que é um ato hostil, vou impor tarifas muito pesadas ou interromper o comércio com a Europa em muitas áreas. Então, se for uma boa intenção, tudo bem; se for uma intenção ruim, vamos impor tarifas muito pesadas à Europa, o que é uma possibilidade".

O primeiro‑ministro do Canadá rebateu a acusação de hostilidade, qualificando a aproximação com a UE como um "farol para outras democracias" e negando que a iniciativa europeia seja um ato agressivo.

A disputa entre Trump e o Canadá faz parte de um foco renovado do presidente no Hemisfério Ocidental, região que presidentes anteriores costumavam priorizar menos em relação ao Oriente Médio e à Ásia. Após uma operação americana que derrubou o líder da Venezuela, Trump voltou sua atenção para outros países da região, exercendo forte pressão econômica sobre Cuba e propondo uma "tomada amigável" do país. Ele também ameaçou tomar o Canal do Panamá e retirar a Groenlândia da Dinamarca.

Em análise política, observa‑se que a resistência interna aos projetos de Trump está substituindo a capitulação que caracterizou parte da política externa americana nos últimos anos. Trump chegou a atualizar a Doutrina Monroe de 1823 com o que chamou de "Corolário Trump", afirmando que "o povo americano — não nações estrangeiras nem instituições globalistas — sempre controlará seu próprio destino em nosso hemisfério".

Nas questões relacionadas a Cuba e Venezuela, as políticas de Trump são conduzidas pelo secretário de Estado Marco Rubio, cubano‑americano conhecido por sua forte ideologia antissocialista. Rubio tem demonstrado menos entusiasmo público por reivindicações territoriais do presidente do que pela democratização da região.

A fixação de Trump no Canadá, no entanto, está centrada principalmente em questões comerciais e econômicas, não em reivindicações territoriais ou políticas.

Em outro desdobramento, o Google Maps adotou nos Estados Unidos o nome "Lago América" para o Lago Ontário, proposta lançada por Trump, mas o governo canadense rejeitou a mudança, mantendo a denominação tradicional.

O início do segundo mandato de Trump foi marcado por ameaças ao ex‑líder canadense Justin Trudeau, que o presidente ridicularizou publicamente e contra as quais rompeu unilateralmente acordos comerciais, intensificando ainda mais a tensão bilateral.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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