Tarifas elevadas e queda de passageiros intensificam crise no transporte coletivo brasileiro

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 27/09/2026 15:00
Tarifas elevadas e queda de passageiros intensificam crise no transporte coletivo brasileiro

Foto: via Correio Braziliense

Com tarifas em alta e queda histórica no número de usuários, o sistema de transporte coletivo enfrenta uma crise que tem levado trabalhadores a buscar alternativas individuais e exposto gargalos antigos da mobilidade urbana no Brasil.

Segundo dados apresentados por Francisco Christovam, presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), durante a feira Lat.Bus em São Paulo, o total de passageiros mensais caiu de cerca de 400 milhões em 2014 para 211,6 milhões no final de 2025, representando uma redução acumulada de 45,9 % nas catracas giradas desde 2013, agravada por problemas preexistentes e pela pandemia.

O Plano CNT de Transporte e Logística indica que 87 % da população brasileira reside em áreas urbanas, e que um quinto desse total está concentrado em apenas 15 dos 5.569 municípios do país, reforçando a necessidade de um transporte coletivo robusto para evitar congestionamentos generalizados.

Embora o ônibus continue sendo a principal escolha, a migração para meios individuais disparou entre 2017 e 2024: as corridas por aplicativo subiram de 1 % para 11,1 %, o uso de motocicletas dobrou de 5,1 % para 10,9 % e a participação de carros particulares atingiu 26 %.

Um levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 35 cidades mostrou que 46,4 % não dispõem de nenhuma via com prioridade para transportes coletivos. Entre as estruturas de apoio existentes, apenas 26,4 % dos veículos trafegam por corredores, 23,1 % contam com faixas exclusivas e somente 11,2 % possuem sistema de BRT, evidenciando a escassez de infraestrutura dedicada.

Essa falta de vias segregadas reflete-se nas horas perdidas em congestionamentos. Em Brasília, os moradores perdem, em média, 58 horas por ano em engarrafamentos.

João Vitor Vieira da Silva, 18 anos, natural de Planaltina (GO), relata que chega a passar quatro horas ou mais por dia no transporte público para estudar e trabalhar, precisando fazer até sete deslocamentos diários entre ônibus e metrô. “A rotina é exaustiva, pois, além da quantidade de ônibus, dificilmente vou sentado. É lotado para caramba, é quente e desconfortável”, afirma. O estudante, que é pessoa com deficiência (PCD), explica que, se não fosse beneficiário de gratuidade, gastaria cerca de R$ 500 por mês em um serviço que não oferece conforto.

Ao investigar as razões da perda de usuários, a NTU identificou que 29 % dos entrevistados buscam mais conforto, 21 % desejam maior flexibilidade de horários e 20 % querem reduzir o tempo gasto nos deslocamentos.

Para reverter o quadro, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11.2 da ONU estabelece, como meta para 2030, o acesso a sistemas de transporte seguros, sustentáveis e a preço acessível, com atenção especial a grupos vulneráveis, como mulheres, crianças, pessoas com deficiência e idosos.

As empresas de transporte defendem a separação do preço cobrado na catraca do custo real do serviço, mas reconhecem que isso não basta. Um estudo da CNT aponta a necessidade de investir R$ 476 bilhões na expansão da infraestrutura viária e na malha metroviária nacional.

Dentro desse contexto, a NTU propõe o Programa "Transporte para Todos", estruturado em três pilares: a criação de um Vale‑Transporte Social financiado pelos recursos do Bolsa Família; a transferência dos custos das gratuidades para as pastas de Saúde, Educação e Assistência Social, conforme o perfil dos beneficiários; e a revisão da Lei do Vale‑Transporte, que tem 40 anos e precisa ser modernizada.

Com informacoes de Correio Braziliense.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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