Tabu de 37 anos pode cair? Líder do 1º turno nunca perdeu eleição presidencial
Desde a redemocratização, nenhuma eleição presidencial brasileira teve uma virada entre o primeiro e o segundo turno. Sempre que a disputa precisou de uma rodada adicional, o candidato que terminou a primeira etapa na liderança acabou eleito.
Esse padrão pode ser colocado à prova nas eleições de 2026, segundo Murilo Medeiros, cientista político da Universidade de Brasília (UnB). Com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) separados por poucos pontos nas pesquisas, Medeiros avalia que uma diferença pequena no primeiro turno aumentaria o peso de fatores como abstenção, votos brancos e nulos e a capacidade de mobilização das campanhas.
“Essa é a décima eleição geral do Brasil desde a redemocratização e promete ser uma das mais acirradas da história”, afirmou Medeiros no programa Mapa de Risco, da InfoMoney.
Datafolha indica que Lula e Flávio empatam com 45% de rejeição do eleitorado. Os principais nomes na disputa seguem empatados pela terceira semana consecutiva. Lula afirmou que vai acabar com as bets no país, dizendo “decisão já tomada”, e destacou que, no passado, o futebol no Brasil era melhor mesmo sem financiamento das bets.
Sete segundos turnos, nenhuma virada: das eleições presidenciais realizadas desde 1989, sete foram decididas no segundo turno. Em todas, segundo Medeiros, o candidato que havia recebido mais votos na primeira rodada manteve a liderança.
A diferença entre os dois principais candidatos, no entanto, tem diminuído entre uma etapa e outra nas disputas mais recentes. Em 2014, Dilma Rousseff chegou ao segundo turno após abrir 8 pontos sobre Aécio Neves e acabou reeleita com vantagem de 3,3 pontos. Em 2022, Lula terminou o primeiro turno 5,2 pontos à frente de Jair Bolsonaro e venceu a segunda rodada por 1,8 ponto.
Para Medeiros, uma distância inferior a cinco pontos entre Lula e Flávio em 2026 colocaria o padrão histórico sob maior pressão. “Há uma chance hoje muito real de presenciarmos uma virada no segundo turno”, afirmou. “Qualquer mudança na taxa de abstenção, do voto branco e nulo e da mobilização mesmo das bases eleitorais são fatores que podem influenciar a presença ou não do eleitor no segundo turno.”
Os levantamentos divulgados nesta semana apontaram Lula numericamente à frente de Flávio, mas com diferenças pequenas. A Quaest, divulgada na segunda‑feira (21), mostrou Lula com 37% das intenções de voto e Flávio com 33%. Na AtlasIntel, divulgada na quarta‑feira (23), o placar foi de 45% a 43%. Já a Real Time Big Data, desta quinta‑feira (24), apontou 41% para o presidente e 37% para o senador. Os institutos apresentam números diferentes, mas mostram uma disputa concentrada nos dois candidatos.
A composição das demais candidaturas também pode ganhar importância. Medeiros avalia que a proximidade da votação tende a estimular o voto útil e reduzir ainda mais o espaço dos candidatos que aparecem atrás de Lula e Flávio. “A busca vai ser pelo voto útil, chamado voto estratégico, tanto da campanha de Lula quanto de Flávio, e tentar desidratar ao máximo os candidatos do pelotão de trás”, disse.
Segundo o cientista político, o histórico eleitoral brasileiro mostra resistência do eleitor a manter o voto em uma candidatura percebida como pouco competitiva na reta final. “O eleitor não quer desperdiçar o voto. É preferível votar no candidato que tem chance de ganhar do que apostar, depositar seu voto no candidato sem chance alguma”, afirmou.
AtlasIntel analisou os três maiores colégios eleitorais e verificou quem leva vantagem entre Flávio e Lula. Esse movimento pode ser especialmente relevante em 2026 porque as candidaturas alternativas estão concentradas no centro e na direita.
João Paulo Machado, analista de política da XP, avalia que essa configuração torna mais difícil para Lula buscar votos adicionais em um eventual segundo turno. “É muito difícil a transferência de voto de um eleitor que se identifica com candidatos como esse ir, num segundo turno, caminhar com o presidente Lula”, disse, ao mencionar eleitores de nomes como Romeu Zema. Para Machado, essa distribuição aumenta a importância de Lula chegar à segunda rodada com uma votação elevada já no primeiro turno.
O programa Mapa de Risco, de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas‑feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e em plataformas de podcast.
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Com informacoes de InfoMoney.

