Supernova SN 2025ulz, detectada em rádio, pode ter origem em fusão de estrelas de nêutrons
Na manhã de 18 de agosto de 2025, às 01h20min06s UTC, os detectores LIGO e Virgo registraram um tremor de ondas gravitacionais tão sutil que a própria equipe de análise considerou a possibilidade de ser ruído, atribuindo ao sinal uma probabilidade de 70 % de não ser real e estimando que alarmes falsos desse tipo surgem cerca de duas vezes por ano.
O alerta, identificado como S250818k pela colaboração LIGO‑Virgo‑KAGRA, possuía uma região de 90 % de confiança que cobria aproximadamente 786 graus quadrados, equivalente a quase quatro mil luas cheias em fila, e uma distância estimada de 259 megaparsecs, com margem de erro de 74 megaparsecs, correspondendo a cerca de 845 milhões de anos‑luz, com variação de ±240 milhões.
Em paralelo, o Very Large Array detectou um sinal de rádio com intensidade de apenas nove microjanskys em SN 2025ulz, coincidindo com o alerta S250818k. O sinal poderia ser resultado do vento da estrela moribunda colidindo com destroços ou de um jato relativístico apontado longe da Terra.
O Zwicky Transient Facility (ZTF), com sua câmera de grande campo no telescópio Schmidt de 1,2 m do Observatório Palomar, identificou em sua varredura o ponto luminoso ZTF25abjmnps, posteriormente renomeado SN 2025ulz. Este objeto apresentou cor avermelhada e um desvio para o vermelho fotométrico compatível com a distância indicada pelas ondas gravitacionais.
Durante a primeira semana de observação, SN 2025ulz esmaecia rapidamente e ficava cada vez mais vermelho, comportamento típico de uma quilonova, semelhante ao observado em GW170817 em 2017. Esperava‑se a ocorrência de uma explosão de raios gama ou um pós‑brilho tardio, mas espectros obtidos em semanas seguintes revelaram linhas de hidrogênio enfraquecendo enquanto o hélio ganhava força, indicando uma supernova do tipo IIb, com desvio para o vermelho de 0,0848.
O desvio para o vermelho implicado pela espectroscopia coloca a distância de SN 2025ulz a menos de dois desvios‑padrão da mediana estimada para a fonte gravitacional, mantendo a coincidência espacial e temporal. A supernova IIb é típica de estrelas com mais de oito vezes a massa do Sol que perderam quase todo o envelope de hidrogênio antes de morrer, mantendo apenas uma fina camada de gás.
Embora a coincidência possa ser mera estatística, a possibilidade de que a fusão de estrelas de nêutrons ocorra dentro da própria estrela em colapso, gerando simultaneamente ondas gravitacionais e uma supernova, apresenta um cenário estranho que desafia as teorias atuais de evolução estelar.
Com informacoes de Space Today.

