Setembro Verde destaca que idosos podem ser doadores vivos de órgãos no Brasil

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 27/09/2026 15:40
Setembro Verde destaca que idosos podem ser doadores vivos de órgãos no Brasil

Foto: via Agência Brasil

O Ministério da Saúde esclareceu que a doação de órgãos em vida pode envolver um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte dos pulmões, sendo indispensável a compatibilidade sanguínea em todas as situações.

Para autorizar a doação, o médico responsável avalia o histórico clínico do candidato e possíveis enfermidades pré-existentes, mas a idade não constitui impedimento. "Descobri que era compatível e senti uma profunda gratidão", relatou Arivaldo à Agência Brasil, ao confirmar que seria o doador do rim para seu filho.

Arivaldo admitiu ter ficado apreensivo quanto à saúde do órgão, questionando se o rim estaria funcional e apto para transplante. Após a realização de todos os exames exigidos, foi considerado apto e a cirurgia foi concluída com sucesso.

Ele descreve a recuperação como tranquila, graças ao acompanhamento de uma equipe médica experiente e empática. "Meu filho já está com o rim funcionando normalmente", afirmou.

Três anos após a operação, Arivaldo mantém uma rotina de exercícios físicos em pelo menos cinco dias por semana, incluindo corrida, musculação e alongamento. Ele também realiza, anualmente, consultas e exames no Hospital Universitário de Brasília (HUB), instituição que coordenou todo o processo de transplante.

Formado em educação física e com 30 anos de experiência como professor na rede pública, Arivaldo ressalta que o cuidado com a saúde ao longo da vida permite envelhecer com qualidade. "Nossa velhice reflete o que fazemos diariamente", disse.

Em 2025, o Brasil registrou 4.335 doadores efetivos, atingindo uma taxa de 20,3 doadores por milhão de habitantes – o maior número já alcançado. Contudo, ainda há 49,4 mil pacientes na fila de espera por transplantes, conforme dados do Sistema Nacional de Transplantes.

A legislação brasileira autoriza a doação entre parentes até o quarto grau e cônjuges sem necessidade de autorização judicial. Quando o vínculo for mais distante, a doação depende de autorização judicial.

Geraldo Freitas, nefrologista da Unidade de Transplantes do HUB, explicou que a avaliação de doadores vivos é ainda mais criteriosa, sobretudo para candidatos acima de 60 anos, visando garantir a segurança tanto do receptor quanto do doador.

O processo inclui exames de sangue, urina, avaliação da função renal, exames de imagem e análise cardiovascular. "Com o avançar da idade, aumentam as chances de hipertensão, diabetes ou problemas cardíacos, que podem elevar os riscos da cirurgia", apontou o médico.

A decisão final considera não apenas os resultados dos exames, mas também a expectativa de vida do doador, sua capacidade de viver com um único rim e a aceitabilidade dos riscos cirúrgicos. Também são avaliados o receptor e as condições do órgão a ser transplantado, buscando um equilíbrio entre segurança e eficácia.

Freitas reforçou que a idade avançada, isoladamente, não exclui a possibilidade de doação em vida, embora exija investigação detalhada devido ao maior risco de doenças crônicas associadas ao envelhecimento.

Com informacoes de Agência Brasil.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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