Oposição apoia o fim da 6×1, mas articula resistência à PEC no Senado

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 14/10/2026 09:40
Oposição apoia o fim da 6×1, mas articula resistência à PEC no Senado

Foto: via CartaCapital

A oposição tem se posicionado publicamente a favor do fim da jornada 6×1, porém continua a articular ações que visam impedir ou alterar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que está em tramitação no Senado.

Flávio Bolsonaro, que pretende revisar o texto caso seja eleito, passou a defender a aprovação da PEC, mas ainda prefere um modelo de jornada flexível inspirado na proposta do senador Rogério Marinho (PL‑RN). Em entrevista após visitar o pai, que cumpre prisão domiciliar, na terça‑feira, 13, o senador afirmou: “Eu estou rodando o Brasil. A maioria dos trabalhadores quer o fim da 6×1. Vou votar a favor do fim da 6×1, mas a gente defende algo ainda melhor, sempre”.

Nos bastidores, o apoio declarado não elimina a intenção de modificar a proposta. Conforme noticiado pelo O Globo e confirmado por CartaCapital, Flávio assegurou a aliados e empresários, na agenda de terça‑feira, que, se eleito, trabalhará na revisão de pontos da PEC.

Senadores do PL também discutem a possibilidade de aprovar, a partir de 2027, o projeto de jornada flexível apresentado por Rogério Marinho, que se baseia nas horas efetivamente trabalhadas e não impõe a redução obrigatória da jornada para 40 horas semanais.

A proposta alternativa serviria para alterar os efeitos práticos da PEC, caso esta seja aprovada nesta quarta‑feira.

Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em setembro, senadores apresentaram 36 sugestões de alteração, todas rejeitadas pelo relator Omar Aziz (PSD‑AM). As propostas abordavam ampliação do período de transição, negociação coletiva, contratos por hora trabalhada e regras específicas para determinadas atividades.

Nos dias que antecederam a votação em plenário, senadores da oposição sinalizaram a preparação de novas emendas em conjunto. Entre os que defendem mudanças estão Tereza Cristina (PP‑MS), Jorge Seif (PL‑SC), Hamilton Mourão (Republicanos‑RS) e Oriovisto Guimarães (PSDB‑PR).

A apresentação de uma emenda não garante sua incorporação; para que a alteração seja adotada, ela precisa ser discutida e aprovada. Caso o Senado modifique a redação aprovada pelos deputados, a PEC terá de retornar à Câmara, o que dificultaria a conclusão da tramitação antes do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.

Há expectativa de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil‑AP), conduza a tramitação de forma a rejeitar qualquer discussão ou votação que altere o texto já aprovado na CCJ, o que deixaria a oposição diante da perspectiva de avanço do projeto sem mudanças.

Alguns senadores passaram a considerar menos vantajoso enfrentar diretamente a PEC, temendo associação eleitoral à manutenção da escala 6×1. A tendência é a liberação das bancadas, sem orientação única de voto para todos os integrantes dos partidos.

Antes da mudança de posicionamento de Flávio Bolsonaro, aliados do candidato discutiam esvaziar a sessão como forma de impedir que o Senado alcançasse o quórum necessário para avançar na votação, estratégia que visava adiar a análise para depois do segundo turno. Uma PEC precisa de pelo menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores em cada um dos dois turnos. A alteração de postura e a avaliação de que a proposta já conta com apoio suficiente reduziram o espaço para essa tática.

Flávio Bolsonaro tem compromissos de campanha em Porto Alegre e no Rio, reforçando sua presença nas regiões onde a discussão sobre a jornada de trabalho tem grande repercussão.

Com informacoes de CartaCapital.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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