Nuvem gigante de 1800 km surge e desaparece diariamente na região de Arsia Mons, em Marte

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 09/10/2026 13:40
Nuvem gigante de 1800 km surge e desaparece diariamente na região de Arsia Mons, em Marte

Foto: via CNN Brasil

Um fenômeno atmosférico impressionante foi detectado na superfície de Marte próximo ao grande vulcão Arsia Mons, que se eleva cerca de 20 km e se estende para a região oeste do planeta.

A estrutura, denominada AMEC (Nuvem Alongada de Arsia Mons), pode alcançar até 1800 km de comprimento, embora sua largura raramente ultrapasse 200 km. Ela se forma diariamente durante a primavera e o verão do hemisfério sul marciano, iniciando antes do nascer do Sol e dissipando ao longo do dia.

Os pesquisadores que investigaram o fenômeno utilizaram dados da sonda Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA), e conduziram simulações meteorológicas avançadas. Os resultados foram publicados na revista Nature Geoscience na quarta‑feira, dia 7.

Segundo o estudo, a formação da AMEC está associada à interação entre os ventos marcianos e o relevo elevado de Arsia Mons. Ao encontrar o vulcão, o ar é forçado a subir, provocando uma queda rápida de temperatura – cerca de 30 °C em aproximadamente dez minutos – que favorece a condensação do vapor de água em cristais de gelo.

O ponto central da pesquisa é a proposta de que a nuvem se forme por nucleação homogênea do gelo, um processo no qual o vapor de água gera partículas de gelo sem a necessidade de núcleos sólidos como grãos de poeira, que normalmente catalisam a formação de nuvens.

Para validar a hipótese, a equipe incorporou a física da nucleação homogênea nas simulações da atmosfera marciana, usando as observações da Mars Express como referência. Essa inclusão permitiu reproduzir a formação da AMEC nos modelos, algo que os modelos convencionais – que dependem de partículas de poeira – não conseguiam fazer.

Os autores ressaltam que as condições atmosféricas ao redor de Arsia Mons podem levar o vapor de água a níveis de supersaturação suficientemente elevados para que os cristais de gelo se formem espontaneamente. A queda acentuada de temperatura durante a ascensão do ar é um dos fatores críticos desse processo.

A nucleação homogênea já era considerada teoricamente possível em certas circunstâncias, mas sua ocorrência em ambientes atmosféricos naturais permanecia difícil de comprovar. Os resultados deste estudo reforçam a ideia de que esse mecanismo pode desempenhar um papel significativo na formação de nuvens em Marte.

Em comentário publicado na mesma edição da Nature Geoscience, a pesquisadora Milena Corcos destacou que a investigação amplia as possibilidades de estudo sobre a dinâmica atmosférica em diferentes ambientes planetários, inclusive em outros planetas.

Embora a pesquisa ofereça uma explicação plausível para o comportamento singular da nuvem de Arsia Mons, ela se baseia em observações e simulações computacionais, indicando que ainda há aspectos a serem esclarecidos sobre o fenômeno.

Com informacoes de CNN Brasil.

Tainá Ribeiro Alves

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