Meta admite que óculos Ray-Ban gravaram conversas mesmo sem comando de ativação
A Meta confirmou uma falha nos óculos inteligentes Ray-Ban Meta que permitia aos dispositivos registrarem conversas mesmo sem o comando de ativação "Hey Meta". Segundo a empresa, o problema já foi resolvido, e os usuários podem gerenciar, revisar e excluir os registros de voz de suas interações com a Meta AI a qualquer momento pelas configurações do aplicativo.
Os áudios capturados apareciam posteriormente no aplicativo Meta AI, acompanhados de transcrições em texto. Os relatos começaram a circular no Reddit logo após uma atualização recente de firmware dos óculos. A Meta não explicou o que provocou as gravações, limitando-se a afirmar que a falha foi corrigida. Os óculos Ray-Ban Meta são vendidos no Brasil a partir de R$ 3.699.
Um dos relatos partiu de um usuário que disse ter encontrado conversas gravadas mesmo com o recurso "Respond without Hey Meta" desativado, função que permite continuar algumas interações sem repetir a frase de ativação. Ele afirma que a luz branca indicadora chegou a acender durante algumas dessas gravações. Esse LED sinaliza quando determinados recursos de captura estão em funcionamento e tem sido o ponto central dos mecanismos de segurança da empresa.
O proprietário alega ter recebido orientações do suporte da Meta para desativar as permissões de câmera e microfone, a detecção de uso dos óculos, apagar o histórico de comandos e interromper temporariamente as atualizações automáticas. Segundo ele, essas medidas afetariam algumas das principais funções do dispositivo. Ele também afirmou estar conversando com advogados sobre a possibilidade de uma ação coletiva contra a Meta.
O episódio se soma a outros problemas de privacidade envolvendo os óculos com câmera e microfone da Meta. Usuários passaram a se aproveitar da discrição da câmera para gravar outras pessoas sem consentimento e publicar o conteúdo em redes sociais. Além disso, relatos de trabalhadores terceirizados responsáveis pela revisão de gravações produzidas pela IA dos dispositivos indicam que a câmera estaria captando consumidores em situações privadas, incluindo relações sexuais. Esse material era analisado durante o treinamento de sistemas de inteligência artificial da Meta.
Os óculos passaram a bloquear gravações quando o sistema identifica que a luz está coberta ou que o dispositivo foi danificado, por exemplo. Em setembro, a empresa afirmou ao Tecnoblog ter desativado 0,1% dos óculos vendidos, que estariam adulterados.
Os dispositivos seguem no centro de discussões sobre regras e leis ao redor do mundo, sobretudo quanto à entrada deles em determinados espaços. No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os incluiu entre os itens proibidos nas cabines de votação, e o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) acionou o Ministério Público Federal para investigar os riscos dos dispositivos.
Como já mostramos em nossa cobertura sobre as restrições aos óculos da Meta em diferentes países, o tema da privacidade volta a ganhar força com este novo caso.
O Ray-Ban Meta pode ser encontrado no Mercado Livre.
Com informacoes de Tecnoblog.

