Macron enfrenta onda de protestos estudantis e fechamento de escolas em todo o país
Na sexta‑feira (2), a tropa de choque entrou em confronto com estudantes do ensino médio em diversas cidades da França, enquanto o governo de Emmanuel Macron buscava conter protestos cada vez mais violentos contra as condições nas salas de aula e a falta de recursos para a educação.
Em Estrasburgo, no leste, nuvens de gás lacrimogêneo envolveram as ruas; em Marselha, no sul, fogos de artifício foram disparados contra barreiras policiais; e em Rennes, no oeste, lixeiras foram incendiadas. Em Paris, manifestantes ergueram cartazes com a mensagem "Temos um futuro para construir, não para suportar".
Segundo as autoridades, 735 escolas tiveram suas atividades afetadas ou foram obrigadas a fechar. O ministro da Educação havia previsto inicialmente o fechamento de 400 das 3.700 escolas de ensino médio do país.
Os números oficiais apontam mais de 300 policiais e guardas feridos, 65 funcionários do Ministério da Educação – entre eles 40 diretores de escolas – e 170 alunos lesionados desde o início do movimento.
Os protestos ocorrem a seis meses das eleições presidenciais previstas para 18 de abril e 2 de maio do próximo ano, período em que pesquisas de opinião registram profunda impopularidade de Macron e de seu governo de centro‑direita. Os cortes orçamentários na educação intensificaram o descontentamento.
O ministro da Justiça, Gerald Darmanin, informou à rádio RTL que cerca de 2.000 pessoas, em sua maioria adolescentes, foram detidas desde o início das manifestações. Ele também declarou que os pais dos responsáveis por danos à propriedade deverão arcar com o ressarcimento.
Já o ministro da Educação, Edouard Geffray, pediu que os pais desaconselhem seus filhos a participar das ruas, alertando que "nas ruas, as crianças correm perigo". O ministro anunciou, em entrevista à BFM TV, que a partir de segunda‑feira (5) o governo disponibilizará uma plataforma digital para que alunos expressem expectativas e propostas, individualmente ou coletivamente, cujas contribuições serão analisadas localmente e servirão de base para um relatório nacional.
Estudantes da região de Paris entrevistados pela Reuters no início da semana afirmaram que não participarão dos protestos nesta sexta‑feira devido à escalada da violência. Darmanin alegou que o movimento estudantil foi sequestrado por "elementos de fora".
A líder da ultradireita Marine Le Pen utilizou as redes sociais para criticar os protestos e apoiar a ação policial, descrevendo a imagem de uma jovem policial agredida por uma multidão como "insuportável".
O governo também sinalizou que a educação receberá aumento orçamentário, embora ainda não tenha divulgado detalhes sobre o montante.
Com informacoes de Folha de S.Paulo.

