LibreOffice 26.8 preserva gráficos do Office, porém não os exibe
A atualização 26.8 do LibreOffice traz uma melhoria significativa no tratamento de elementos gráficos originados no Microsoft Office: a suíte de código aberto agora identifica e guarda as informações desses gráficos ao abrir e salvar arquivos, evitando perdas acidentais.
Embora a visualização ainda não seja suportada, a mudança cobre seis categorias de gráficos – colunas, linhas, áreas, pizza, dispersão e radar – que permanecem intactas no documento, mesmo que apareçam como marcadores. A única exceção são os mapas regionais, que exigem um volume grande de dados geográficos que o LibreOffice ainda não consegue armazenar, segundo a The Document Foundation (TDF).
A limitação decorre do fato de que esses gráficos são codificados em um formato proprietário da Microsoft, conhecido como *chartex*, extensão do padrão OOXML. Esse componente não faz parte da norma internacional ISO/IEC 29500, embora a própria Microsoft o documente separadamente. Não há ilegalidade no uso, mas a ausência de especificação aberta obriga projetos externos a reverterem engenharia para suportá‑lo.
A TDF tem sido crítica ao OOXML há tempos. Em janeiro, Italo Vignoli, representante da fundação, afirmou que “OOXML nunca foi, não é e nunca será um formato padrão”, acusando a Microsoft de criar barreiras para terceiros. A nova preservação de gráficos não elimina o desafio técnico, mas demonstra um avanço na interoperabilidade.
Quando um programa encontra um elemento desconhecido, ele pode optar por três caminhos: recusar o arquivo, apagar o elemento incompatível ou mantê‑lo com um aviso visual. O LibreOffice escolheu a terceira alternativa, exibindo um placeholder e mantendo os dados originais, o que garante que o conteúdo não seja perdido ao trocar de aplicativo.
Essa estratégia beneficia usuários que circulam documentos entre diferentes suites. Um colaborador pode abrir uma apresentação no LibreOffice, editar partes compatíveis e salvar o arquivo sem destruir um gráfico que só o Microsoft Office conseguiria exibir, preservando a integridade para quem receber o documento.
O aprimoramento coincidiu com o recorde de downloads registrado na semana de lançamento da versão 26.8. Além da questão dos gráficos, a atualização trouxe suporte a mais fontes e recursos de acessibilidade no Writer, bem como a possibilidade de criar e editar scripts em Python no Calc sem necessidade de extensões adicionais.
Não é a primeira vez que a Microsoft gera obstáculos de compatibilidade, como já apontamos no alerta falso do Microsoft Defender que confundiu usuários ao indicar desativação do antivírus. A nova abordagem do LibreOffice mostra que a comunidade de código aberto continua buscando soluções para contornar essas barreiras.
Com informacoes de Tecnoblog.

