Fim do home office eleva recorde de escrituras em São Paulo e reduz demanda em cidades do interior
O fim do home office fez a capital paulista atingir recorde de 90.402 escrituras de imóveis em 2025, volume 49,6% superior ao registrado em 2020.
Cerca de 65% dos profissionais apontam o deslocamento como principal desvantagem do modelo totalmente presencial.
Taboão da Serra liderou o crescimento imobiliário de 2021 a 2025 com alta de 73%, seguida por Bauru e pelo polo empresarial de Barueri.
O modelo híbrido gera impasse nas empresas: 54% dos gestores temem perder talentos com a presencialidade, enquanto 52% dos profissionais avaliam mudar de emprego caso percam a flexibilidade.
A pandemia de Covid-19 mudou o mapa imobiliário de São Paulo, permitindo que milhares de famílias deixassem a capital em busca de cidades mais tranquilas, imóveis maiores e rotina distante dos grandes centros; agora os dados dos cartórios indicam que esse movimento entrou em nova fase.
Um levantamento do Colégio Notarial do Brasil (CNB/SP), que representa os tabeliães de notas, mostra que a capital paulista atingiu recorde histórico de compra e venda de imóveis em 2025, com 90.402 escrituras registradas nos cartórios de notas, volume 49,6% superior ao de 2020.
Ao mesmo tempo, municípios que se beneficiaram da busca por casas e condomínios durante o auge do trabalho remoto perderam fôlego com a consolidação dos modelos híbridos e presenciais, explicando uma das principais transformações do mercado imobiliário no período pós‑pandemia.
Entre 2021 e 2025, o número de escrituras caiu 57% em Itupeva, 41% em Cotia, 36% em Indaiatuba e 31% em Atibaia, cidades que ganharam destaque durante a expansão do trabalho remoto.
Andrey Guimarães Duarte, vice‑presidente do CNB/SP, reforça que os números precisam ser analisados com cautela. "Queda no número de escrituras não é suficiente para entender que há uma saída massiva de moradores. Os dados mostram menor intensidade nas transações imobiliárias após um período de expansão excepcional", diz. Para Andrey, os números também indicam que o mercado imobiliário entrou em nova etapa, que não representa simplesmente uma volta ao cenário anterior à pandemia. "Se fosse simplesmente uma volta ao padrão pré‑pandemia, esperaríamos que a capital recuperasse o que perdeu e os destinos do home office retornassem aos níveis anteriores. Não foi exatamente isso que aconteceu", afirma.
Quando os escritórios fecharam em 2020, morar perto do trabalho deixou de ser necessidade para milhões de pessoas, abrindo espaço para projetos há anos nos planos das famílias: troca de apartamentos por casas com quintal, busca por cidades mais tranquilas ou seguras, aproximação de familiares, redução do custo de vida ou realização do desejo de viver perto da praia ou de áreas verdes.
Segundo o levantamento do CNB/SP, todas as regiões do estado registraram crescimento expressivo nas escrituras em 2021, com altas entre 33% e 36% em relação a 2020, indicando que, naquele momento, a localização havia perdido importância, mas isso dependia da continuidade predominante do home office.
Nos últimos anos, empresas passaram a exigir mais dias de trabalho presencial, trazendo de volta o fator distância entre casa e trabalho. Hoje, a maior parte das empresas opera em modelos híbridos ou presenciais.
Um estudo da Robert Half mostra que profissionais de construção civil e engenharia trabalham, em média, 4,8 dias por semana nos escritórios, enquanto no setor de serviços a média é de 3,3 dias.
Outra pesquisa, realizada pela WeWork em parceria com a Offerwise, revela que 63% dos profissionais trabalham presencialmente e que, para 79% deles, essa condição é determinada pela empresa, não por escolha própria.
No mercado de trabalho, as vagas remotas diminuem, enquanto as oportunidades presenciais e híbridas avançam; segundo a plataforma Gupy, elas já superam as posições totalmente remotas.
Quem se mudou para cidades mais distantes voltou a lidar com trânsito, pedágios, gastos com transporte e menos tempo livre. Ainda segundo a pesquisa da WeWork, 65% dos trabalhadores apontam o deslocamento como a principal desvantagem do trabalho presencial e 53% relatam aumento das despesas relacionadas à ida ao escritório.
Beatriz Kawakami, gerente de negócios da WeWork Brasil, define esse fenômeno como um custo silencioso: ele não aparece diretamente no salário, mas aumenta o desgaste diário dos colaboradores.
Com informacoes de G1.

