Hapvida (HAPV3) chega ao fundo do poço, mas ativo fiscal de R$ 30,8 bi pode virar alavanca, alerta UBS

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 27/09/2026 20:54
Hapvida (HAPV3) chega ao fundo do poço, mas ativo fiscal de R$ 30,8 bi pode virar alavanca, alerta UBS

Foto: btg-pactual/efe

O UBS BB retomou a cobertura da Hapvida (HAPV3) com recomendação neutra e preço‑alvo de R$ 7,80 por ação, indicando que a maior parte dos obstáculos já parece estar precificada, mas ainda faltam sinais claros de recuperação operacional. A análise reforça o que já apontamos em 26/09, quando destacamos a dificuldade da operadora de saúde em reverter seu desempenho.

Um ponto central do relatório é o ativo fiscal de R$ 30,8 bilhões, originado pelo ágio tributário registrado na fusão com a NotreDame Intermédica em 2022. O ágio fiscal corresponde à diferença positiva entre o preço pago na aquisição e o valor contábil da empresa adquirida, refletindo a expectativa de lucros futuros que, se realizados, poderiam ser utilizados para reduzir o IRPJ e a CSLL.

Segundo o UBS, o benefício só será efetivado se a Hapvida conseguir gerar lucro tributável suficiente para absorvê‑lo, além de concluir uma reorganização societária ainda pendente. Sem esses elementos, o goodwill permanece como um potencial, mas não como valor realizável para os acionistas.

Nos últimos trimestres a ação tem reagido negativamente aos resultados divulgados, que ficaram aquém das projeções. No segundo trimestre, a intensificação de processos judiciais foi apontada como um dos principais entraves, com o CEO reconhecendo falhas na contenção desses custos. No ano anterior, a alta de sinistralidade, o aumento das despesas e o peso das provisões, agravados por um surto de influenza, também pressionaram os números.

Para acompanhar a performance, o UBS analisou as notas explicativas auditadas sob IFRS 17, concentrando‑se no Medical Loss Ratio (MLR). Os dados mais recentes indicam que a deterioração operacional persiste, porém em ritmo mais lento: uma queda de cerca de 50 pontos‑base no MLR do terceiro trimestre de 2026 e 30 pontos‑base no quarto trimestre, projetando um Cash MLR de 74,7 % para o ano. A instituição estima que o Cash MLR alcance aproximadamente 76 % no longo prazo, subindo para 77 % ao incluir provisões, ainda abaixo dos níveis observados em concorrentes como SulAmérica e Bradesco Saúde.

No cenário base, o UBS projeta crescimento de receita próximo a 4 % ao ano entre 2026 e 2028, impulsionado principalmente pelo aumento do ticket médio dos planos, sem contar com expansão significativa da base de beneficiários. As estimativas deliberadamente excluem qualquer aproveitamento do ativo fiscal de goodwill, dada a incerteza sobre a capacidade da empresa de materializar esse valor.

Com informacoes de Seu Dinheiro.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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