FI-Infras oferecem até IPCA+14% com isenção de IR, superando rentabilidade do Tesouro IPCA+

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 23/09/2026 08:42
FI-Infras oferecem até IPCA+14% com isenção de IR, superando rentabilidade do Tesouro IPCA+

Foto: btg-pactual/efe

A rentabilidade de 8% ao ano acima da inflação, que antes era referência nos títulos públicos indexados ao IPCA, parece ter ficado para trás. Atualmente, os papéis do Tesouro IPCA+ negociados no Tesouro Direto apresentam taxas acima de 7% mais IPCA, mas ainda abaixo do patamar de 8%.

No segmento de crédito privado, entretanto, ainda é possível encontrar remunerações elevadas sem que isso decorra de dificuldades financeiras das empresas emissoras. Ao analisar os fundos de debêntures incentivadas negociados em bolsa – os chamados FI-Infras – observa‑se que muitos estão sendo negociados com desconto em relação ao valor patrimonial, o que eleva os retornos das carteiras para mais de 10% ao ano mais IPCA, totalmente isentos de imposto de renda.

Esses fundos investem em debêntures incentivadas, títulos de renda fixa emitidos por empresas para financiar projetos de infraestrutura, área prioritária de fomento do governo. Por serem isentas de IR, tanto as próprias debêntures quanto os fundos que as detêm concedem rendimentos mensais isentos, semelhantes ao modelo dos fundos imobiliários, e ainda não tributam eventual ganho de capital na venda das cotas.

Quando se diz que as cotas dos FI-Infras estão com desconto, significa que o preço negociado está abaixo do valor patrimonial – o total dos ativos da carteira dividido pelo número de cotas. Comprar cotas descontadas oferece ao investidor a possibilidade de obter retorno superior ao de quem adquiriu cotas a valor patrimonial ou com ágio, pois há potencial de valorização até que o preço de mercado se alinhe ao valor patrimonial.

Um estudo recente da Empiricus Research apontou que os melhores resultados para investidores em FI-Infras ocorrem exatamente nesses momentos de deságio. Ao adquirir cotas abaixo do valor patrimonial, o investidor pode lucrar tanto com o carrego – o retorno gerado pela manutenção do investimento – quanto com a valorização da própria cota, que tende a convergir para o valor patrimonial.

Embora a presença de descontos possa sugerir risco elevado, o cenário de crédito privado tem sido pressionado por uma Selic alta e prolongada, que encarece a dívida das empresas mais alavancadas e deteriora sua saúde financeira. Além disso, diversas companhias têm buscado recuperação judicial ou extrajudicial, resultando em calotes de títulos de dívida.

No caso das debêntures incentivadas, o risco se manifestou de forma diferente. Enquanto se discutia a possibilidade de tributação dos investimentos de renda fixa isentos de IR, a demanda por esses papéis cresceu intensamente, elevando seus preços e comprimindo os spreads – a diferença de rentabilidade em relação aos títulos públicos – já que a isenção compensava o risco adicional.

É importante lembrar que, quando os preços dos títulos indexados ao IPCA sobem, as taxas caem, e vice‑versa. Em determinado momento, porém, os spreads dos ativos isentos ficaram tão estreitos que a atratividade desses papéis diminuiu frente ao Tesouro IPCA+. Entre junho e agosto, observou‑se a abertura desses spreads e a queda nos preços das debêntures de infraestrutura, refletindo também a forte volatilidade dos ativos negociados em bolsa neste ano, incluindo FIIs, ETFs e FI-Infras, em meio a tensões geopolíticas, pressões inflacionárias externas e a corrida eleitoral no Brasil.

O risco fiscal, eleitoral e geopolítico tem pressionado a inflação e as expectativas de juros futuros, impactando também os títulos indexados à inflação, cujos preços recuam enquanto as taxas sobem. No período de maior aversão ao risco – de junho a agosto, quando o Tesouro IPCA+ ainda pagava cerca de 8% ao ano acima da inflação – os descontos nos FI-Infras atingiram picos, acompanhados pela alta dos juros futuros.

Por fim, a saída de investidores dos FI-Infras costuma ocorrer quando a distribuição de dividendos diminui. Esse fenômeno foi observado entre junho e agosto, coincidindo com a desaceleração do IPCA, que chegou a apresentar índice negativo em agosto. Apesar da redução dos descontos, ainda há atratividade nos FI-Infras para quem busca retornos superiores ao Tesouro IPCA+, especialmente considerando a isenção de imposto de renda.

Com informacoes de Seu Dinheiro.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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