Empiricus recomenda três debêntures incentivadas isentas de IR com Selic em queda

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 22/09/2026 20:14
Empiricus recomenda três debêntures incentivadas isentas de IR com Selic em queda

Foto: btg-pactual/efe

A renda fixa está entrando em uma nova fase. Depois de anos em que bastava esperar o próximo aumento dos juros para encontrar aplicações mais rentáveis, o movimento agora é o oposto: comprar títulos antes que as taxas fiquem menores. Essa janela de oportunidade foi identificada pela Empiricus logo após o corte da Selic para 13,75% ao ano, realizado pelo Banco Central na semana passada, e diante da perspectiva de novas reduções à frente.

As debêntures incentivadas são dívidas de empresas que contam com isenção de imposto de renda sobre os rendimentos. A Empiricus acredita que alguns papéis carregam prêmios generosos e ainda podem oferecer ao investidor um retorno além do contratado, com ganhos adicionais se os juros continuarem caindo. A preferência recai sobre debêntures indexadas ao IPCA emitidas por setores defensivos como saneamento, energia e infraestrutura, justamente pela potencial valorização desses papéis no mercado secundário de negociação entre investidores nas plataformas de corretoras.

Títulos indexados à inflação variam de preço e taxa conforme as expectativas do mercado para os juros no futuro. Como o momento é de projeções de juros menores, a tendência é os investidores passarem a exigir taxas menores das debêntures incentivadas também. Se isso acontecer, o preço desses títulos sobe e gera um “ganho extra” pela marcação a mercado.

Quem investe em uma debênture incentivada olha primeiro para a rentabilidade anunciada. Se um papel paga, por exemplo, IPCA + 8% ao ano, esse é o retorno que o investidor receberá caso permaneça com o título até o vencimento e não ocorra nenhum problema de crédito pelo caminho. Mas existe uma segunda fonte possível de ganhos. Ao longo da vida do título, seu preço oscila diariamente. Quando os juros caem ou quando o mercado passa a enxergar menos risco naquela empresa, investidores aceitam receber taxas menores para comprar aquele mesmo papel. O resultado é uma correção entre preço e taxa para manter a equivalência de retorno no vencimento do título. Na prática, a queda da taxa faz com que o preço da debênture suba – é a chamada marcação a mercado, que também atua em outros títulos de renda fixa, como os títulos públicos, CRIs e CRAs.

Quando o investidor comprou uma debênture pagando IPCA + 8% pode ver seu título se valorizar caso, meses depois, o mercado aceite IPCA + 7% no mesmo papel. Esse ganho, porém, não é automático. Ele aparece no preço do ativo e só se confirma quando o investidor vende o título antes do vencimento. Quando o investidor carrega o papel até o prazo final, a empresa paga a taxa contratada, independentemente das oscilações de mercado.

Ao falar em potencial de valorização das debêntures incentivadas, os analistas da Empiricus apostam na redução das taxas exigidas pelo mercado, de modo que o preço desses papéis aumente. Entre as três recomendações da carteira, a que mais chama atenção é a debênture RIS422, da Águas do Rio. A Empiricus aumentou seu grau de convicção na recomendação e indica uma exposição máxima de até 6% da carteira para o papel. A tese está ligada aos eventos que abalaram a confiança dos investidores na controladora Aegea ao longo deste ano. Em um mercado já sensível a problemas de governança corporativa, o episódio levou muitos investidores a se desfazerem dos títulos da empresa, o que fez as taxas subirem de forma exagerada. Neste momento, a debênture RIS422 está negociando no mercado secundário a uma taxa de IPCA + 11,42% (em 17/09/2026). Garantia: Real e fidejussória (Aegea é fiadora). Segundo o relatório, a situação operacional segue melhorando: a geração de caixa avançou, a rentabilidade cresceu e os acionistas aprovaram um aporte adicional de R$ 2,1 bilhões, reforçando a estrutura financeira do grupo. Para a casa, o mercado ainda não reconheceu totalmente essa melhora, e é justamente essa diferença entre a percepção atual e os fundamentos da empresa que sustenta a recomendação. A partir do momento que o mercado reconhecer o avanço, enquanto a taxa de juros segue recuando, o prêmio deve cair e fazer o papel de renda fixa se valorizar rapidamente.

A segunda indicação é a debênture CGOSA2, da Equatorial Goiás, um dos maiores grupos de distribuição de energia do país. O principal argumento para esse título de renda fixa é o preço. A avaliação da casa é que o título continua pagando um prêmio superior ao de outras debêntures do setor elétrico, apesar de a companhia apresentar indicadores de crédito considerados sólidos e contar com garantia da holding controladora do grupo. Os resultados operacionais mais recentes da holding reforçaram essa percepção: a distribuição de energia, principal negócio da companhia, continuou crescendo, enquanto indicadores de qualidade operacional e redução de perdas mostraram evolução, segundo a Empiricus. O ponto de atenção está no aumento da dívida, pois a participação adquirida na Copasa elevou o endividamento.

Com informacoes de Seu Dinheiro.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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