Eleições 2026: grande parte do atual regime de poder está em jogo

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 04/10/2026 23:20
Eleições 2026: grande parte do atual regime de poder está em jogo

Foto: via Estadão

A disputa presidencial de 2026 traz à tona a influência de dois indicadores-chave: a quantidade de senadores que compõem a bancada de oposição e a margem de votos entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Esses elementos determinarão o grau de poder que esse grupo terá para direcionar a agenda política nacional.

Apesar de as urnas eletrônicas não possuírem conexão à internet, o Brasil consegue iniciar a apuração e divulgar resultados poucos minutos após o encerramento da votação. O processo ocorre por meio de transmissão segura dos dados armazenados nas máquinas para servidores centralizados, permitindo a contagem rápida e a publicação dos números.

O esforço mais audacioso da burocracia estatal, ao tentar conduzir o resultado do pleito, será avaliado neste domingo. A combinação entre o número de senadores de oposição e a diferença no primeiro turno entre Lula e Flávio Bolsonaro revelará a real capacidade desse bloco de influenciar a política. Já se observa um erro político significativo por parte da chamada ala de força do Supremo Tribunal Federal (STF), que tem mesclado a crise interna da corte com o resultado eleitoral.

A ala de força dispõe de instrumentos de coerção contra adversários internos, sobretudo o controle sobre setores relevantes da segurança, como a Polícia Federal. Contudo, sua capacidade de controlar os grandes fatores que determinam o voto é limitada. Inadvertidamente, o pleito acabou assumindo a forma de um plebiscito sobre a atuação do Judiciário, em um momento de acentuada falta de legitimidade da corte.

O motivo para assumir risco tão elevado é claro: trata‑se de uma luta pela própria sobrevivência, que eliminou qualquer prudência política por parte do STF. Esse posicionamento também revela uma perda de leitura da realidade, alimentada por uma arrogância típica de uma casta que se considera intocável, mantém privilégios, forma conluios com o Executivo e parte do Legislativo e controla investigações. A recusa em reconhecer que uma parcela significativa da sociedade perdeu a confiança no Judiciário reforça essa postura.

Dentro desse cenário, a narrativa de uma campanha “industriada” – termo usado nos círculos da ala de força – aponta para agentes financeiros ligados ao escândalo do Master e para seus dependentes na imprensa, vistos como “idiotas úteis” ou “apparatchiks” na tentativa de destruir o Supremo. Ao longo do tempo, a ala de força do STF demonstrou superioridade sobre qualquer adversário, ampliando seus poderes, atuando como instância política de grande influência, legislando sem grande contestação e empregando instrumentos de exceção pouco questionados. O Executivo e parte do Legislativo tornaram‑se reféns desse processo.

Durante essa dinâmica, a corrupção do passado foi apagada e alguns integrantes da corte descobriram possibilidades de enriquecimento, tanto pelo patrimonialismo que permite a apropriação de partes do Estado por grupos privados, quanto pela associação a vigaristas. O caso Master, que prometia mudanças, pode acabar sendo apenas um tropeço, mas a oportunidade de acumular patrimônio já se concretizou para alguns.

Entre os desdobramentos políticos, destaca‑se que o segundo turno nunca registrou uma virada decisiva, o que abre espaço para que a direita controle os Três Poderes. Eduardo Paes atacou Douglas Ruas, afirmando que o Rio de Janeiro não será governado nem por Flávio Bolsonaro nem por Lula. Flávio Bolsonaro reproduziu o desempenho de seu pai em 2022, vencendo em 14 estados. Tarcísio tornou‑se o governador mais votado da história de São Paulo. Jorginho Mello foi reeleito governador de Santa Catarina com quase 69% dos votos. A campanha de Lula entrou em desânimo, gerando crise no PT, enquanto Flávio permanece parado no segundo turno. Xandão, Gilmar e Dino minaram Lula e podem desencadear um processo de impeachment. Nikolas Ferreira quebrou o recorde de Eduardo Bolsonaro e se tornou o deputado federal mais votado da história. O avanço de Flávio no primeiro turno movimentou o jogo de poder no STF. Um mapa com os dados da disputa presidencial por estado está disponível para consulta.

A cobertura inclui ainda informações sobre a política de Inteligência Artificial, conforme o aviso de direitos autorais do Grupo Estado (1995‑2026).

Com informacoes de Estadão.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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