Efeito Flávio: queda de 1 ponto percentual na curva de juros pode gerar economia de R$ 66 bilhões na dívida pública
Taxas projetadas pela curva de juros recuaram um ponto percentual logo após o primeiro turno, movimento que, segundo o Banco Central, pode reduzir o custo da dívida pública em cerca de R$ 66 bilhões.
A estimativa de queda da dívida pública em caso de redução de 1 ponto percentual na taxa Selic está contida no relatório de Estatísticas Fiscais referente ao mês de agosto, publicado em 30 de setembro, antes do primeiro turno. O documento completo está disponível em PDF (392 kB).
O valor potencialmente economizado corresponde a quase três vezes o custo que o reajuste de 15,04 % no Bolsa Família terá em 2027 – estimado em R$ 22,7 bilhões – e supera o impacto do aumento de R$ 120 no salário mínimo, avaliado em R$ 54,6 bilhões.
Juros futuros são as taxas que o mercado espera que sejam cobradas nos próximos anos; o principal indicador dessas expectativas é o contrato DI (Depósito Interfinanceiro) futuro, negociado na B3. O DI acompanha de perto a Selic, de modo que, por exemplo, a queda do DI para 2029 indica expectativa de juros menores naquele ano.
O governo precisa refinanciar a dívida à medida que os títulos vencem. Quando as taxas de juros são menores, ele consegue emitir novos papéis pagando menos aos investidores. Os compradores desses títulos percebem menor risco em um cenário de Selic reduzida e de ambiente econômico mais favorável, exigindo, assim, um prêmio de risco menor.
O menor gasto com juros libera espaço no orçamento, permitindo maior capacidade de investimento. O mercado interpreta que um governo liderado por Flávio apresentaria maior disciplina fiscal, o que abriria margem para o Banco Central cortar a Selic.
Uma Selic mais baixa melhora o ambiente de negócios: empresas teriam acesso a crédito mais barato, o que pode estimular investimentos, expansão e contratações. Além disso, a melhora nas expectativas pode elevar o valor das ações na Bolsa, facilitando a captação de recursos.
Na segunda‑feira, o Ibovespa bateu recorde ao fechar em 207 mil pontos, resultando em quase R$ 500 bilhões de ganho de valor de mercado para as companhias listadas.
Diante desse cenário, a credibilidade fiscal de um governo mais disciplinado pode gerar efeitos positivos na economia antes mesmo da implementação de novas medidas, ao reduzir o custo de capital e aumentar a confiança dos investidores.
Entretanto, os efeitos da curva de juros não são automáticos. Caso as expectativas fiscais ou de inflação se deteriorem, os juros futuros podem subir novamente. Da mesma forma, uma melhora ainda maior nas expectativas fiscais pode aprofundar a queda dos juros.
6 out 2026 (09h53) – Diferentemente do que foi indicado inicialmente, o dado sobre juros futuros não é atribuído ao Banco Central. O relatório da autoridade monetária traz apenas a projeção de queda da dívida bruta em caso de redução de 1 ponto percentual na taxa Selic. O texto foi corrigido e atualizado.
Erros apontados no texto incluem: tópicos relacionados ao ambiente de negócios, estimativa de movimentação de R$ 9,27 bilhões na Dia das Crianças em 2026, regra da Fazenda Pública para alíquotas de CBS e IBS de combustíveis, recorde de vendas de veículos em setembro segundo a Fenabrave, revogação pela Anvisa da suspensão da fábrica da Unilever em São Paulo, e avaliação de Meirelles de que as agendas econômicas de Lula e Flávio são fracas.
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Com informacoes de Poder360.

