Corinthians libera R$ 27 milhões da Caixa e anuncia pagamento de salários atrasados

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 07/10/2026 20:00
Corinthians libera R$ 27 milhões da Caixa e anuncia pagamento de salários atrasados

Foto: via ge

O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, firmou nesta quarta-feira um acordo com a Caixa Econômica Federal que autoriza a liberação de R$ 27 milhões mantidos em conta reserva, conforme previsto no contrato de pagamento da dívida da Neo Química Arena.

Do total, R$ 13,5 milhões foram transferidos imediatamente para o clube; a outra metade será depositada em data ainda a ser confirmada pela Caixa.

Com o recurso já disponível, a diretoria pretende efetuar nesta quinta-feira o pagamento dos salários de funcionários e jogadores que permaneceram em atraso até a data‑limite estabelecida pela CLT, que expirou nesta quarta‑feira.

Embora o acordo assinado por Stabile trate apenas da liberação dos R$ 27 milhões retidos, a diretoria o considera um passo relevante na negociação para a quitação da dívida de R$ 630 milhões que o Corinthians possui com a Caixa pela construção da arena.

Recentemente, o clube recebeu sinal de progresso nas tratativas, com a suspensão dos pagamentos das parcelas trimestrais devidas e a indicação de que o banco estatal deixará de bloquear verbas de bilheteria e premiações de campeonatos.

A assessoria de imprensa da Caixa, ao ser consultada pela ge, respondeu que a instituição não se manifesta sobre operações bancárias específicas e eventuais negociações, em respeito ao sigilo bancário previsto na Lei Complementar 105/2001.

Nas negociações, o Corinthians propõe à Caixa assumir os naming rights do estádio, atualmente pertencentes à Hypera Pharma. A diretoria estima que os naming rights valem cerca de R$ 70 milhões por temporada, valor muito superior aos R$ 15 milhões anuais, corrigidos pela inflação, que a Hypera paga desde a assinatura do contrato em 2020.

O projeto inclui ainda o lançamento de títulos de capitalização, a transferência completa da operação financeira do clube – contas e pagamento de salários – para a Caixa, e a possível emissão de cartões vinculados ao programa Fiel Torcedor.

Se o acordo de naming rights for concluído, o valor poderia ser utilizado para quitar integralmente a dívida, já que o banco teria o direito de explorar comercialmente o nome do estádio por período determinado.

A crise financeira que motivou essas negociações tem como principal causa a dívida da arena. Desde a inauguração do estádio em 2014, o Corinthians já desembolsou aproximadamente R$ 600 milhões para pagar o financiamento da construção.

O contrato renegociado, firmado na gestão do ex‑presidente Duilio Monteiro Alves, estabelece dezembro de 2041 como prazo final para pagamento da dívida, com amortizações crescentes a partir de 2025 e juros de 2% ao ano acrescidos da variação do CDI, pagos desde 2023.

Na prática, o clube pagou apenas juros em 2023 e 2024, iniciando a redução do saldo devedor a partir de 2025.

Stabile tem reiterado que quitar a dívida da arena é seu principal objetivo na presidência. O endividamento total do clube chega a R$ 2,8 bilhões.

No ano passado, Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, sugeriu publicamente que o Corinthians deixasse de pagar a dívida com a Caixa para priorizar outras obrigações, o que levou o banco a admitir a possibilidade de renegociação.

Com informacoes de ge.

Tainá Ribeiro Alves

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