CMPC avança com investimento de R$ 27 bilhões, maior da história do Rio Grande do Sul
O maior investimento da história do Rio Grande do Sul está avançando em Barra do Ribeiro, cidade de 12,5 mil habitantes a 60 km de Porto Alegre. O projeto de US$ 4,5 bilhões (cerca de R$ 27 bilhões) é liderado pela CMPC, uma das maiores empresas de celulose e papel da América Latina, e promete gerar empregos, mas ainda enfrenta cobranças sobre o impacto ambiental.
A fábrica será instalada em um terreno de 10 mil hectares (aproximadamente 100 km²) na Fazenda Barba Negra e terá capacidade para produzir cerca de 2,7 milhões de toneladas de celulose por ano. A atual fábrica da companhia no estado, localizada em Guaíba, na região metropolitana de Porto Alegre, tem capacidade de 2,4 milhões de toneladas por ano.
"É a maior expansão internacional que o Chile já fez no mundo", afirmou Ignacio Lira, gerente de assuntos corporativos da CMPC, ao apresentar o empreendimento batizado de Projeto Natureza a uma comitiva chinesa no fim de setembro. "Será uma fábrica totalmente nova, projetada com tecnologia de ponta, em um projeto que contará com uso intensivo de inteligência artificial e robótica nas operações", acrescentou.
A CMPC estima a criação de 12 mil empregos na fase de construção e 5 mil empregos diretos na operação da nova estrutura.
O projeto conta com apoio do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, que assinou um protocolo de intenções com a empresa em abril de 2025, garantindo suporte institucional para adequações logísticas e articulação técnica.
Como parte da implantação, será construído um terminal portuário para receber a madeira utilizada no processo produtivo e escoar a celulose até o Porto de Rio Grande. A autorização para o terminal foi concedida pela Antaq e pelo Ministério de Portos e Aeroportos, com capacidade prevista de movimentar cerca de 5 milhões de toneladas de celulose por ano.
Em janeiro, a CMPC assinou com o governo federal o contrato de adesão para exploração do terminal portuário, cerimônia que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O terminal prevê dois berços para navios, dois para barcaças e um armazém com capacidade de 194 mil toneladas de celulose.
"Diferentemente da unidade atual de Guaíba, que, com o crescimento urbano, acabou ficando no meio da cidade, a nova fábrica ficará localizada muito distante de qualquer núcleo residencial ou família. Isso garante um impacto de vizinhança significativamente menor durante a operação", destacou Lira.
O diretor da CMPC afirma que o Projeto Natureza está em fase de planejamento, com a empresa já trabalhando na preparação do terreno e em programas para qualificar e contratar fornecedores locais.
Contudo, o empreendimento enfrenta desafios regulatórios. O Ministério Público Federal questiona a abrangência dos estudos realizados pela CMPC e alega que o licenciamento avançou sem consulta adequada com indígenas, quilombolas e pescadores potencialmente afetados pela cadeia logística. Em março, o MPF recomendou a suspensão do licenciamento até que as comunidades fossem ouvidas, pedindo a reformulação dos estudos que, segundo o procurador da República Ricardo Gralha Massia, deixaram de identificar impactos negativos.
Massia alerta que o crescimento do eucalipto consome grande volume de água, podendo reduzir o fluxo das águas superficiais da região e secar nascentes, além dos riscos de lançamentos de efluentes com substâncias tóxicas no Lago Guaíba.
A justiça de primeira instância rejeitou o pedido do MPF e permitiu a continuidade dos estudos técnicos e do processo de licenciamento ambiental; o Tribunal Regional Federal da 4ª Região manteve a decisão. O MPF informou que está avaliando a possibilidade de novo recurso.
A CMPC sustenta que está cumprindo os procedimentos e exigências dos órgãos responsáveis pelo licenciamento e apresentou estudo que avalia os possíveis impactos sobre uma comunidade indígena Kaingang que vive do outro lado do Rio Guaíba.
O projeto aguarda a emissão da Licença Prévia pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), órgão estadual responsável pelo licenciamento ambiental da fábrica. A Fepam, em nota, afirmou que o rito do licenciamento segue normalmente e nunca foi interrompido desde o início do processo.
"No momento, o processo aguarda a manifestação definitiva da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai)", declarou a Fepam. Segundo a instituição, a Funai encaminhou à CMPC solicitação de esclarecimentos relacionados ao empreendimento, e a empresa respondeu no dia 25 de outubro. Agora a Funai avaliará a documentação e dará continuidade à sua análise.
A expectativa da CMPC é que a continuidade do projeto seja liberada nos próximos dias. O nome do Projeto Natureza não foi
Com informacoes de Estadão.

