Protestos contra o custo de vida e a educação na França deixam mais de 1 mil detidos e se espalham por Portugal, Itália, Bélgica e Espanha

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 17/10/2026 22:00
Protestos contra o custo de vida e a educação na França deixam mais de 1 mil detidos e se espalham por Portugal, Itália, Bélgica e Espanha

Foto: via G1

Os protestos que se iniciaram em setembro, liderados por estudantes de escolas públicas e ampliados por trabalhadores e integrantes do movimento dos “coletes amarelos”, culminaram neste sábado (17) com aproximadamente 1.200 pessoas detidas e 150 policiais e gendarmes feridos em todo o território francês.

O presidente Emmanuel Macron declarou que quem depredou sedes governamentais será punido, enquanto o primeiro‑ministro, Sébastien Lecornu, defendeu a atuação das forças de segurança e descreveu o saldo de feridos como um “milagre” por não ter sido mais grave.

O órgão fiscalizador responsável está analisando 24 denúncias de violência policial contra manifestantes.

Segundo o governo francês, o número total de participantes nas manifestações chegou a 550 mil; os organizadores, por sua vez, estimam 800 mil presentes.

Em Limoges, no centro da França, a sede da prefeitura, inaugurada em 1883, foi incendiada após um carro da polícia municipal ser incendiado em frente ao edifício. O fogo provocou o desabamento do telhado, que caiu sobre os andares inferiores, deixando duas‑terças partes da fachada destruídas, conforme informou o prefeito regional Maurice Barate.

Na mesma data, o escritório de turismo de Lyon foi alvo de incêndio. O prefeito Grégory Doucet qualificou o episódio como uma tragédia para a cidade, ressaltando o valor histórico e emblemático do prédio, e informou que pessoas hostis impediram a ação segura dos bombeiros.

Em Angers, no oeste da França, manifestantes invadiram a prefeitura e a sede do governo regional de Maine‑et‑Loire. Um princípio de incêndio começou na sala de correspondência e foi apagado por um funcionário com um extintor.

Em Paris, a passeata principal transcorreu de forma majoritariamente pacífica, segundo a BBC, mas grupos menores atearam fogo em ruas e veículos, inclusive na Praça da República. Confrontos com a tropa de choque se intensificaram à noite, com uso de gás lacrimogêneo, jato d’água, lojas saqueadas, ao menos um restaurante incendiado e policiais atingindo manifestantes com cassetetes.

Na cidade de Toulouse, o protesto resultou em saques a lojas, lixeiras incendiadas e barricadas. A Praça do Capitólio foi isolada após um princípio de incêndio. O número de participantes foi estimado em 32 mil pelo governo regional e cerca de 80 mil pelos sindicatos. Por volta das 16h30, as forças de segurança tentaram interromper a marcha, deixando quatro dirigentes sindicais feridos e retirados do local.

O secretário‑geral da união departamental da CGT no Alto Garona, Cédric Caubère, responsabilizou diretamente o prefeito regional, seu chefe de gabinete e o primeiro‑ministro pelas ordens dadas à polícia.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, havia informado mais cedo que 400 pessoas estavam detidas e 60 policiais feridos, dois dos quais foram levados inconscientes ao hospital. Ele também relatou tentativas de saque em Paris, Rouen, Nantes, Toulouse e Marselha.

Em Portugal, dezenas de milhares de pessoas marcharam pelo centro de Lisboa contra o encarecimento da moradia e o aumento do custo de vida, em ato convocado pela CGTP, a maior central sindical do país. Desde 2017, os preços dos imóveis mais que dobraram e os aluguéis de novos contratos quase duplicaram.

Na Espanha, os protestos contra os preços dos aluguéis e a falta de moradia levaram o governo a anunciar eleições antecipadas.

Na Itália, as manifestações contra o alto custo de vida também terminaram em confrontos, com relatos de saques e tensões entre manifestantes e a polícia.

Os atos de protesto contra o alto custo de vida e a deterioração dos serviços públicos se espalharam por vários países europeus neste sábado (17), reforçando a dimensão transnacional da insatisfação popular.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

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