CBF aprova redução gradual de estrangeiros no Brasileirão; Flamengo e Bahia se opõem
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou e os clubes aprovaram uma proposta de redução gradual do limite máximo de jogadores estrangeiros que podem ser relacionados em cada partida das Séries A e B do Brasileirão, a partir do próximo ano.
O regulamento que entrará em vigor em 2027 estabelecerá o teto de oito estrangeiros por partida, reduzindo o limite atual de nove. A diminuição seguirá de forma escalonada até 2030, quando o máximo será de cinco estrangeiros por jogo.
O cronograma de redução ficou definido da seguinte forma: 2026 – 9 estrangeiros; 2027 – 8 estrangeiros; 2028 – 7 estrangeiros; 2029 – 6 estrangeiros; 2030 – 5 estrangeiros.
Na votação realizada, o Flamengo e o Bahia registraram voto contra a medida. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, tentou incluir na pauta a redução do limite de 12 jogos para que um jogador seja transferido na Série A, mas a CBF esclareceu que o tema não estava em discussão na reunião e será tratado em encontro futuro.
A iniciativa visa conter o aumento progressivo de estrangeiros que tem ocorrido nos últimos anos. Em 2014 o limite passou de três para cinco; em 2023 subiu de cinco para sete; e no ano seguinte (2024) foi elevado de sete para nove.
Com a nova regra, clubes como o Flamengo, que chegou a ter dez estrangeiros em seu elenco, precisarão deixar ao menos um fora da lista de relacionados para cada partida da Série A.
Além da redução do limite, a proposta inclui uma regulamentação mais rígida para a inscrição de jogadores nas duas principais divisões. O número total de atletas inscritos permanecerá em 50, mas será criado um sistema de Listas A e B, inspirado em torneios europeus, para garantir a presença de jovens. A Lista B será composta exclusivamente por jogadores sub‑23, independentemente de terem sido formados no clube.
Distribuição prevista das listas: 2027 – 30 jogadores na Lista A e 20 na Lista B; 2028 – 29 na Lista A e 21 na Lista B; 2029 – 27 na Lista A e 23 na Lista B; 2030 – 25 na Lista A e 25 na Lista B.
A CBF identificou que a maioria dos clubes já se enquadra no modelo proposto para 2027, com 16 equipes da Série A e 17 da Série B atendendo aos requisitos, mesmo sem a regra estar em vigor.
Entre os estrangeiros já registrados, destaca‑se o argentino Flaco López, que integra o elenco do Palmeiras.
A decisão foi motivada por uma demanda do Movimento dos Clubes Formadores do Futebol Brasileiro (MCFFB). Estudos da CBF demonstraram que o aumento de estrangeiros tem reduzido a minutagem de jogadores brasileiros com menos de 23 anos. A idade média dos atletas inscritos na elite do Brasileirão é de 28,5 anos, acima dos 27,3 registrados em 2020, e superior às principais ligas europeias: Espanha 27, Inglaterra 26,4, Alemanha 26,3, Itália 26,1 e França 26.
O mercado brasileiro tem exportado jovens talentos e adquirido jogadores mais experientes. Entre 2016 e 2025, 79 % da receita dos clubes brasileiros com contratações provém da venda de jogadores sub‑23, sendo que os sub‑20 representam 50,1 % desse faturamento, segundo dados da CBF. Nas cinco principais ligas europeias, a arrecadação com vendas de sub‑20 não ultrapassa 30 %.
O impacto no estilo de jogo também foi considerado. O Brasileirão apresenta o menor percentual de minutos jogados por atletas sub‑23 em comparação com as ligas top‑5 da Europa. No Brasil, esses jogadores respondem por 14 % dos minutos, enquanto a Itália chega a 28 % e a França, a que mais concede espaço, registra 38 %.
Em 2026, estrangeiros acima de 23 anos acumularam 25 % da minutagem da Série A. O total de 14 % de minutos de jogadores sub‑23 é composto por 11,5 % dos minutos aos brasileiros e 2,3 % aos estrangeiros da mesma faixa etária.
A CBF contabilizou que, em 2026, 146 jogadores estrangeiros já haviam entrado em campo no Brasileirão, com mais 13 podendo estrear. No ano anterior, o número era de 162. Aproximadamente 30 % desses atletas nunca representaram suas seleções nacionais principais.
Com informacoes de UOL.

