Aliados apontam erro de Flávio Bolsonaro sobre a CNBB e reação considerada desastrosa em crise de fake news
Seis dias antes do primeiro turno, aliados de Flávio Bolsonaro consideram que a declaração do senador atribuindo a disseminação de notícia falsa à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) foi um erro que ampliou a crise e gerou um confronto institucional.
Segundo esses aliados, a acusação contra membros internos da CNBB deu munição à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem explorado o caso como forma de pressionar o candidato bolsonarista.
O PT vê o episódio como um "escorregão" de Flávio e avalia aproveitar a declaração para reforçar a narrativa de que a campanha bolsonarista está ligada a fake news, especialmente após a tentativa de Flávio de pedir ao ministro Luiz Fux, do STF, que suspenda a decisão do ministro Flávio Dino sobre a retirada do título de padroeira.
Os aliados temem que a campanha de Flávio não tenha tempo suficiente para reverter o desgaste, lembrando o caso de maio, quando foram divulgados áudios do senador pedindo dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar o filme "Dark Horse" sobre a vida de Jair Bolsonaro.
Em agenda em Goiânia, neste domingo (27), Flávio Bolsonaro afirmou que "a maior fake news dessa campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida, algo que nunca, não existia esse movimento pra tirar ela de ser padroeira do Brasil, jamais existia, não tem projeto, não tem nada. O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente, essa é a realidade".
A CNBB negou qualquer envolvimento na produção ou disseminação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral, declarando que "a mentira não se combate com outra mentira" e que acusações sem fatos ou provas atingem injustamente a instituição.
Pessoas próximas a Flávio dizem que a fala não estava no roteiro da campanha, atribuindo o deslize ao cansaço e à pressão do caso. Conforme mostrou a CNN, a estratégia da campanha era evitar declarações de aliados e deixar o próprio candidato falar de improviso para reduzir riscos de polêmicas na reta final.
A notícia falsa viralizou nas redes sociais na noite da última quinta-feira (24) após um comentário em um canal de televisão citar a preocupação de bispos com a retirada do título da padroeira. Flávio gravou um vídeo para desmentir a informação poucas horas depois, mas a esquerda continuou explorando o tema, e o canal de TV chegou a pedir desculpas pelo erro.
Na sexta-feira (25), a equipe jurídica de Flávio recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para derrubar a associação do senador ou de sua família à suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O pedido foi atendido pelo ministro André Mendonça, que determinou a indisponibilização imediata de 1.170 links relacionados nas petições e anexos do processo, abrangendo publicações no X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube.
Entre as publicações derrubadas estava a do humorista Antônio Tabet, cujo post no X trazia a imagem de Nossa Senhora Aparecida acompanhada da legenda: "A família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!". Após recurso do humorista, o ministro Flávio Dino, do STF, revogou a decisão de Mendonça neste domingo (27). Na segunda-feira, o ministro enviou o caso ao plenário, enquanto a equipe jurídica de Flávio apresentou novo recurso ao ministro Luiz Fux, pedindo a suspensão da medida de Dino.
Aliados questionam a decisão jurídica de solicitar a derrubada das publicações, especialmente a de Tabet, que menciona "família miliciana" sem citar diretamente os Bolsonaro, argumentando que Flávio "mordeu a isca" ao reagir ao conteúdo.
Diante da pressão gerada pela notícia falsa sobre a suposta tentativa de retirar o título de padroeira, Flávio decidiu participar do debate da TV Globo na próxima quinta-feira (1º), independentemente da presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A campanha vê o debate como oportunidade para reforçar o apelo ao voto útil entre eleitores de direita e fixar a numeração do candidato.
Com informacoes de CNN Brasil.

