9 casos de corpos encontrados em São Paulo alimentam boato de serial killer, polícia nega existência
Nove cadáveres foram encontrados em São Paulo entre 5 de setembro e 2 de outubro, espalhados por diferentes zonas da capital, e rapidamente se tornaram assunto viral nas redes sociais, alimentando boato de que um suposto serial killer estaria atuando na cidade.
O secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves, e a diretora do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa, Ivalda Aleixo, declararam publicamente que não há provas que sustentem a existência de um assassino em série em São Paulo, buscando conter o medo coletivo gerado pelas informações.
Os corpos foram encontrados em sacos plásticos, enrolados em cobertores, lençóis ou edredons, alguns decapitados, esquartejados, amarrados, baleados ou carbonizados. O DHPP está investigando quatro casos na Zona Leste, três na Zona Sul, um na Zona Norte e um na Zona Oeste; nenhum caso foi registrado no Centro.
Das nove vítimas, oito já foram identificadas – sete homens e uma mulher – e até o momento nenhum suspeito foi preso ou apontado como autor dos homicídios.
5 de setembro: um homem foi localizado por garis dentro de um saco plástico preto na Rua Contos Gauchescos, no bairro Jabaquara, Zona Sul. O cadáver estava amarrado com cordas.
10 de setembro: um homem foi encontrado amarrado e enrolado em um cobertor, com a cabeça dentro de sacos plásticos, em terreno baldio da Rua Zenichi Sato, no bairro Colônia, Zona Leste.
10 de setembro (mesmo dia, a 3 km do caso anterior): uma mulher foi descoberta morta na Rua Osmano Ungaretti, no Jardim Marabá, Zona Leste. O corpo estava enrolado em um cobertor dentro de saco plástico e apresentava ferimentos de arma de fogo, inclusive na região do rosto e da cabeça.
13 de setembro: o cadáver de um homem foi encontrado na Zona Leste, totalmente ensacado.
19 de setembro: o corpo de um homem foi localizado decapitado e esquartejado dentro de sacolas plásticas em um barranco no Jaçanã, Zona Norte. Roupas e uma faca foram encontradas no local; a cabeça e as mãos da vítima não foram recuperadas.
25 de setembro: um homem foi achado abandonado no meio da Rua São João do Pernambuco, na Vila Andrade, Zona Sul, enrolado em uma coberta com as mãos amarradas.
25 de setembro: outro homem foi encontrado carbonizado no banco traseiro de um carro incendiado no Rio Pequeno, Zona Oeste.
27 de setembro: uma cabeça humana foi encontrada em uma praça no Jardim São Luís, entre a Avenida Guido Caloi e a Ponte Transamérica, Zona Sul.
2 de outubro: o corpo de um homem foi localizado dentro de um saco plástico em área de mata junto a uma ciclovia nas imediações do Parque Ecológico do Tietê, próximo ao Centro de Treinamento do Corinthians, Zona Leste. O cadáver apresentava braços e pernas amarrados com fita adesiva.
As autoridades suspeitam que as mortes possam estar relacionadas ao chamado “tribunal do crime”, sistema clandestino utilizado por facções criminosas para punir pessoas que supostamente violam regras internas, podendo culminar em agressões ou execuções. Parte das vítimas possuía antecedentes criminais, e a investigação não descarta a participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) ou de outros grupos.
Em 2017, o portal G1 informou que a polícia investigava mais de 40 mortes suspeitas de terem sido executadas em “tribunais do crime” em São Paulo. Até o momento, não há evidências de que os nove homicídios estejam ligados entre si ou que tenham sido cometidos por um único autor, sendo analisados individualmente pelo DHPP.
Ivalda Aleixo, em vídeo divulgado na última terça‑feira, afirmou que “não existe nenhuma evidência de que um serial killer está agindo em São Paulo” e pediu que a população não transforme a situação em uma “série de terror”.
Com informacoes de G1.

