Xuxa revive saia de Carolina Herrera comprada nos anos 90 em desfile da NY Fashion Week
A escolha de Xuxa para a Semana de Moda de Nova York trouxe à tona uma peça que faz parte de sua história pessoal: uma saia da marca Carolina Herrera adquirida nos anos 90, em Nova York, que voltou ao mesmo cenário internacional mais de três décadas depois.
Segundo a apresentadora, a relação com a grife remonta ao período em que atuava como modelo e apresentadora, e a peça não foi selecionada como novidade, mas como um objeto que já integrava seu guarda‑roupa há mais de 30 anos.
Tamara Lorenzoni, estrategista de marcas com atuação internacional e especialista no mercado de luxo, explicou que o valor da saia vai além da etiqueta. "Essa saia não é especial apenas porque é Carolina Herrera. Ela tem uma história. Foi comprada pela Xuxa nos anos 90, em Nova York, fez parte da vida dela e agora volta ao mesmo cenário décadas depois. Isso cria uma camada de valor que não está na etiqueta da peça, mas naquilo que ela passou a representar", afirmou.
A especialista ainda destacou que a decisão contrasta com a lógica de novidade que costuma movimentar a moda. "Existe uma diferença entre algo antigo e algo que permaneceu. Quando uma peça atravessa o tempo e continua fazendo sentido para quem a possui, ela ganha permanência. E permanência é um atributo muito poderoso no luxo, porque fala de algo que não depende de uma tendência para continuar relevante", completou.
O desfile também contou com a presença de Sasha Meneghel, filha de Xuxa, que dividiu o mesmo espaço da mãe, reforçando a ideia de herança de referências e repertório. Lorenzoni observou: "Quando falamos em herança, não precisamos pensar apenas em uma joia ou em uma bolsa que passa de mãe para filha. Existe também uma herança de referências, de marcas, de histórias e de repertório. A Sasha cresceu tendo contato com esse universo e hoje constrói a própria trajetória. É muito interessante ver essas duas gerações ocupando o mesmo espaço, cada uma com sua singularidade".
A especialista ressaltou ainda o caráter singular da história da saia: "Uma marca pode criar uma peça muito bonita, exclusiva e desejada. Mas a história que uma pessoa constrói com aquela peça é impossível de replicar. Você pode reproduzir o desenho de uma saia, mas não consegue reproduzir o fato de ela ter sido comprada pela Xuxa em Nova York nos anos 90 e ter voltado para a cidade mais de 30 anos depois. Essa história é singular".
O reencontro ocorre no mesmo ano em que a Carolina Herrera celebra 45 anos de existência. Fundada em 1981, a grife tem mantido elementos reconhecíveis de sua identidade ao longo das décadas. Lorenzoni apontou que a coincidência entre o aniversário da marca, a relação de longa data de Xuxa com a etiqueta e o retorno da peça cria uma conexão entre diferentes épocas: "É isso que torna esse episódio tão interessante. Temos uma marca celebrando 45 anos, uma mulher que tem uma história pessoal com essa marca e uma peça comprada há mais de 30 anos voltando à cena. Existe continuidade. E, no luxo, continuidade não significa fazer sempre a mesma coisa, mas preservar uma identidade que consegue atravessar o tempo".
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Com informacoes de O GLOBO.

