Várzea se torna nova casa para jogadores profissionais: salários, público e estrutura atraem ex-atletas de elite
A distância entre o futebol amador e o profissional diminuiu consideravelmente, pois competições de várzea cada vez mais bem estruturadas, calendário intenso e pagamentos atrativos têm transformado esses campos em opções viáveis para atletas que atuam em clubes de menor expressão.
A explicação principal reside no aspecto financeiro. Alguns atletas amadores chegam a receber valores semelhantes aos de colegas que jogam profissionalmente; é o caso do atacante conhecido como Max, que se destaca na várzea e, neste ano, já vestiu a camisa de 24 clubes diferentes.
Em outras situações, jogadores ainda vinculados ao futebol profissional recorrem ao amador para complementar a renda. Enquanto clubes de divisões inferiores oferecem salários modestos – em torno de R$5 mil a R$6 mil – os cachês pagos por equipes de várzea por partida podem superar esses valores, tornando a competição amadora um concorrente direto dos clubes pequenos.
Jorge Machado, proprietário do São Caetano, afirma que a várzea se tornou a maior concorrente dos clubes de menor porte. “Tive o Caiuby aqui, que foi o melhor jogador do campeonato. Ele tem qualidade para atuar em Série A ou B do Brasileiro. Precisamos liberá-lo ocasionalmente para jogar na várzea”, explicou. Machado ainda destacou que o clube, que atualmente disputa a Série A4 do Campeonato Paulista, enfrenta mais de R$70 milhões em dívidas, contrastando com o passado glorioso de duas vice‑campeonatos brasileiros (2000 e 2001), uma Libertadores (2002) e um título paulista (2004).
Caiuby, atacante de 38 anos que retornou ao Brasil há dois anos após 14 temporadas na Europa, está no Grêmio Prudente e tem usado a várzea como segunda fonte de renda. Ele já atuou por 25 times e almeja marcar seu milésimo gol antes de Cristiano Ronaldo.
Segundo Caiuby, a atratividade da várzea decorre tanto da situação financeira quanto da estrutura dos clubes amadores, que hoje são bem organizados e apresentam potencial econômico significativo. “Muitos atletas estão abandonando o profissional porque recebem muito mais na várzea, mesmo em clubes de quarta ou terceira divisão”, declarou.
O acordo entre Caiuby e Machado foi direto: o jogador informou que só participaria da várzea se o São Caetano vencesse. “Quando ele me contratou, eu deixei claro que meu compromisso com a várzea dependia do sucesso do clube profissional”, contou Machado, ressaltando que a estratégia funcionou.
Caiuby ressalta que a atmosfera dos jogos de várzea – estádios lotados, torcida apaixonada e clima de final – contrasta com a quase ausência de público em partidas de quarta divisão ou Copa Paulista, o que desmotiva muitos atletas. Financeiramente, um jogador medianamente conhecido pode ganhar facilmente R$10 mil ou mais por mês atuando em dois ou três jogos semanais, além de receber “luvas” e o “bicho” no dia da partida. Para nomes de grande renome na várzea, os valores são ainda superiores, refletindo o crescimento explosivo do mercado e o aumento do nível técnico.
Com informacoes de Globo Esporte.

